O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo passado, para garantir o apoio do PT à reforma política que pretende aprovar ainda neste ano. A proposta prevê a adoção do sistema distrital misto nas eleições a partir de 2034 e de um modelo de transição em 2030.
Motta se reuniu com lideranças dos partidos União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, federação PSDB-Cidadania, Podemos e PSB na quarta-feira. Nos bastidores, há uma preocupação do Centrão diante da ampliação da bancada bolsonarista, puxada por destaques das redes sociais como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). O Partido Liberal obteve uma bancada de 121 deputados federais e 29 senadores na eleição de 2026.
Segundo Motta, não serão feitas mudanças nas eleições majoritárias. O modelo de transição ainda será definido. O presidente da Câmara disse que vai procurar discutir agora com as bancadas do PT, PCdoB, PV, PSol, Novo e PL. “Nós vamos fazer a discussão sobre como seria essa transição. É claro que existem detalhes que têm que ser conversados”, declarou Motta.
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“Estou feliz em reabrir esse debate e encontrar uma janela ainda neste ano para fazer essa mudança. Estou aqui para atender a um apelo dos líderes, e chegou o momento de enfrentar esse tema”, declarou. A discussão trata das regras do sistema proporcional para a escolha de deputados federais, deputados estaduais e vereadores. De acordo com ele, a intenção é construir uma proposta de consenso entre os partidos.
Ele afirmou que pretende encontrar o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar das mudanças. Motta ressaltou que as mudanças em discussão se limitam às eleições para o Legislativo, não incluindo o sistema de escolha para os cargos disputados pelo sistema majoritário.
“Queremos avançar com essa proposta ainda este ano para que tanto a Câmara quanto o Senado avaliem essas mudanças. Tudo isso visando trazer mais eficiência e a possibilidade de respeitar o voto do eleitor sobre a sua representação federal, estadual e municipal”, defendeu.
Também anunciou a criação de um grupo de trabalho com representantes de todos os partidos da Câmara para construir uma proposta de alteração do Código Eleitoral com regras para as plataformas digitais. Ele defendeu a regulamentação da propaganda eleitoral nas redes sociais e afirmou que as normas atuais precisam ser acompanhadas de critérios claros.