"É simplesmente inacreditável que o representado venha sustentar que ignorava tudo sobre os 'afazeres ocultos' de Cachoeira; que tenha respondido candidamente ao Senador Mário Couto que não sabia que Cachoeira era contraventor", avaliou Humberto Costa, relator do processo. "Cachoeira é o verdadeiro anjo da guarda de um senador da República", destacou.
Ao alegar a participação do senador no esquema de lavagem de dinheiro operado por Cachoeira, Costa relata que Demóstenes agia como um "despachante” do contraventor. "No que diz respeito a capitais de Cachoeira já integrados, é evidente a atuação do senador Demóstenes Torres como um despachante de luxo do contraventor", definiu.
Costa relata ainda que "as atuações na área de construção civil, construção pesada, prestação de serviços urbanos e licenciamento ambiental já estão sendo escrutinadas pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Cachoeira”. Segundo o relator, em todos os casos, existem duas certezas: um parlamentar a valer-se do seu inegável prestígio para viabilizar interesses econômicos do “contraventor”; uma teia de ligações, consórcios, parcerias, sociedades e associações empresariais em que se pode averiguar a conhecida técnica para obstaculização de qualquer investigação.
Costa também apontou o envolvimento de Demóstenes com os negócios de Carlinhos Cachoeira na exploração de jogos de azar e ainda atuando na proteção de Cachoeira. Outro ponto levantado pelo relatório é o de obtenção de vantagens por parte do senador que atuava em nomeações impostas por Cachoeira na administração pública e no Senado.
Após a conclusão da leitura do voto, o presidente do Conselho de Ética, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), salientou que colocará o relatório em apreciação. O pleito terá de ser nominal e aberto. Se aprovado pelo conselho, o processo terá então que ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Depois, segue para o plenário da Casa, onde passará por votação secreta.