Política

Renan Calheiros aceita convite de Temer para encontro com Cármen Lúcia e Maia

Presidência tenta amenizar crise institucional após críticas do presidente do Senado a operação da PF no Congresso

Presidência tenta amenizar crise institucional após críticas do presidente do Senado a operação da PF no Congresso
Presidência tenta amenizar crise institucional após críticas do presidente do Senado a operação da PF no Congresso Foto : Fábio Pozzebom / ABr / CP
O presidente do Senado, Renan Calheiros, informou que aceitou o convite para se reunir, nesta quarta-feira às 11h, com o presidente da República, Michel Temer, para discutir os limites e as competências dos três poderes. Também foram convidados para o encontro a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

O objetivo do encontro é evitar uma crise institucional entre o Legislativo, Judiciário e Executivo na esteira dos acontecimentos da semana passada. Na última sexta-feira, a Polícia Federal deflagrou a Operação Métis, que prendeu quatro policiais legislativos do Senado e efetuou buscas e apreensões nas dependências do Congresso. A ação foi autorizada por um juiz de primeira instância, o que Renan considerou uma “usurpação” de atribuição do STF. Ele ainda fez críticas ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a quem atribuiu atitudes de "chefete de polícia".

Temer pretende colocar Renan, Moraes e Carmen Lúcia lado a lado no evento de lançamento do Pacto Nacional pela Segurança Pública, previsto para esta sexta-feira. A defesa das propostas englobadas pelo pacto, na avaliação de integrantes do Palácio, exige a participação de todos e deve unir o discurso.

O temor do presidente neste momento também é de que os desdobramentos da Operação Métis atrapalhem o andamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição que estabelece limite de gastos. A PEC 241 deve ser votada em segundo turno nesta terça-feira, no plenário da Câmara e em seguida vai para discussão no Senado.

"A preocupação do presidente é baixar a temperatura da crise. O maior temor do Palácio neste momento é que esse problema institucional atrapalhe a pauta de votação no Congresso. A PEC do teto tem um calendário apertado", ressaltou um assessor palaciano.

Renan, Moraes e Cármen Lúcia estão no centro do tensionamento instaurado nos últimos dias. Em entrevista concedida na segunda-feira, 24, Renan chamou Moraes de "chefete de polícia" após o ministro afirmar que os agentes da polícia legislativa "extrapolaram" a competência. O senador também disparou contra o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília e que autorizou a operação no Senado, a quem chamou de "juizeco".

As declarações de Renan contra o juiz levaram a ministra Cármen Lúcia a também reagir nesta terça-feira. "Onde um juiz for destratado, eu também sou", disse Cármen. A ministra declarou ainda que o Judiciário exige respeito dos demais Poderes da República.

A operação da Polícia Federal visou desarticular um grupo, liderado pelo Diretor da Polícia do Senado Pedro Carvalho que, segundo as investigações, "tinha a finalidade de criar embaraços às ações investigativas dos federais em face de senadores e ex-senadores, utilizando-se de equipamentos de inteligência".

*Com informações da Agência Brasil