Política

Renan evita falar sobre prazos do impeachment caso processo chegue ao Senado

Presidente do Congresso disse que matéria será submetida a um calendário e combinado com o STF

Renan evita falar sobre prazos do impeachment caso processo chegue ao Senado
Renan evita falar sobre prazos do impeachment caso processo chegue ao Senado Foto : Jonas Pereira / Agência Senado / CP
O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), indicou nesta terça-feira, que, se o pedido de admissão de impeachment da presidente Dilma Rousseff passar pela Câmara, não atuará para adiar um pronunciamento pelos senadores sobre um eventual afastamento dela do cargo.

Perguntado se essa decisão do Senado poderia ser tomada em 48 horas, como ocorreu em 1992, no caso do então presidente Fernando Collor de Mello, atual senador pelo PTC de Alagoas, Calheiros disse que o impedimento de Dilma "tem o seu tempo". "Não devo comentar esses fatos (sobre o prazo), mas tudo na vida tem o seu tempo, o impedimento tem o seu tempo, tem um calendário. Se ele passar na Câmara, ele se submeterá a um calendário no Senado Federal e isso será combinado com o próprio Supremo Tribunal Federal (STF)", disse, na chegada ao gabinete.

De acordo com ele, o processo contra a presidente terá uma data decisiva, o domingo, e é preciso aguardar a manifestação da Câmara "sem sofreguidão". Por isso, não se pode "antecipar os fatos" por "bom senso e responsabilidade", afirmou.

Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 20 revelou que Renan Calheiros, tido como a principal
esperança pelo governo para barrar a destituição, já afirmou a interlocutores que não tem condições de impedir o afastamento de Dilma se a Câmara tomar a decisão de admitir a abertura do pedido. Segundo o presidente do Congresso avaliou com interlocutores, se isso acontecer, haverá uma "onda" que certamente resultará na cassação da presidente.

Áudio

Calheiros não quis se manifestar sobre o áudio que foi vazado nesta segunda-feira, com a fala do vice-presidente Michel Temer, beneficiário direto da eventual queda da presidente. Importante quadro do PMDB, o presidente do Senado declarou que, pela função que ocupa, não deve "comentar esses fatos partidários porque isso exatamente desequilibra".

Limitou-se a dizer que não acompanha o dia a dia do partido porque é preciso preservar o Senado para assegurar o equilíbrio institucional. Calheiros tampouco quis se pronunciar sobre a dura manifestação de Dilma, nesta terça-feira, mais cedo, em que chamou Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de chefes do golpe. O presidente do Congresso admitiu, entretanto, que o Brasil vive um "momento dramático" da história e que todos os atores políticos precisam, mais do que nunca, demonstrar responsabilidade.