O governo do Rio Grande do Sul compareceu, com três secretários, a uma reunião com os líderes das bancadas da Assembleia Legislativa. Na pauta, um debate sobre medidas adotadas pelo Palácio Piratini em relação às enchentes e à reconstrução do Estado. A reunião durou pouco mais de uma hora e não foi produtiva, tanto aos olhos do governo, quanto na opinião dos deputados. Um novo encontro deve ocorrer na próxima terça-feira, 15.
A reunião foi a portas fechadas. Conforme o desenrolar das conversas, deputados começaram a deixar a sala aos poucos. Questionados, relataram não haver avanço. Os representantes do governo Eduardo Leite (PSD) falaram de forma breve sobre ações do Executivo estadual em relação à resposta gaúcha à catástrofe climática de 2024.
“Conseguimos trazer aquilo que foi feito. Alguns parlamentares, principalmente mais do ponto de vista político, possam ter não conseguido aprofundar na minúcia que desejaram, mas não vai ser em uma hora que vamos conseguir aprofundar as múltiplas iniciativas do Plano Rio Grande”, defendeu o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos Júnior (PSD), ao sair do encontro no Legislativo. Além de Lemos, compareceram ao Parlamento o secretário da Reconstrução, Pedro Capeluppi, e o procurador-geral do Estado (PGE), Eduardo Cunha da Costa.
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“Nenhuma informação”, diz líder da oposição
Segundo relataram parlamentares, os secretários fizeram uma breve explanação, mas não trouxeram uma apresentação. Após o líder da bancada de oposição, deputado Miguel Rossetto (PT), tomar a fala e criticar duramente o governo Leite, deputados da base passaram a defender a gestão. Após, a reunião foi encerrada.
“Infelizmente, o governo não apresentou nenhum número, nenhuma informação sobre o que vem fazendo. Estamos falando das obras do Funrigs, com R$ 14 bilhões, e R$ 6,5 bilhões já disponibilizados pela Caixa para sistema de proteção contra cheias na Região Metropolitana (de Porto Alegre)”, afirmou Rossetto, em entrevista.
“O governo, mais uma vez, demonstra uma ausência total de senso de urgência, de capacidade operacional para realizar essas grandes e importantes obras. Os recursos estão disponíveis, são R$ 20 bilhões que o presidente Lula disponibiliza para o Estado, os projetos estão feltros e falta o governo trabalhar. O governo não conseguiu licitar ainda a empresa que vai atualizar o sistema de proteção de Eldorado do Sul, o resto está parado”, criticou ainda o líder da oposição.
Lemos se defendeu em relação aos recursos. “No Fierce (fundo de apoio à infraestrutura para recuperação e adaptação à eventos climáticos extremos), são R$ 6,5 bilhões que dizem que está depositado e não sendo executado. O que está depositado é a garantia que nós temos de que a União reservou o recurso para fazer aquilo que ela não fez desde a década de 1980, quando a Constituição trouxe explicitamente que obras referentes a eventos como os que enfrentamos são responsabilidade da União”, declarou.
Capeluppi afirmou que o Estado está mais preparado para lidar com adversidades climáticas extremas. “É sempre importante compartilhar os avanços e os deputados trouxeram os pontos de preocupação, que já são conhecidos no nosso dia-a-dia. As coisas estão acontecendo, os projetos estão sendo e a nossa segurança em relação às cheias vai se construindo em torno de uma série de ações e medidas que vão ficando prontas ao longo do tempo. Hoje, a capacidade do Estado de lidar com essas situações é muito melhor que tínhamos no ano passado e vimos isso no episódio que tivemos há duas semanas”, disse o secretário da Reconstrução.