Tendo também criticado a ausência do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da peça de acusação de autoria do MPF, Barbosa acusou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de ser omisso em relação à suposta participação de Lula no mensalão. Segundo o advogado, Gurgel quer "jogar o povo contra o STF", Corte que julga os réus acusados de envolvimento no esquema.
Barbosa disse que, em abril de 2011, o procurador regional Manuel Pastana protocolou, na Procuradoria-Geral da República, uma notícia crime com o objetivo de incluir o nome de Lula na ação penal. No entanto, segundo ele, Gurgel não tomou nenhuma atitude a respeito. “Sabemos que há três possibilidades: ou ele pede diligências, ou ele denuncia ou ele pede o arquivamento. Isso no prazo de 15 dias. Pede arquivamento a essa Corte (STF) e não à sua gaveta.”
O advogado acrescentou que Gurgel está sendo demandado por crime de omissão no Senado Federal, por iniciativa do senador Fernando Collor (PTB-AL). “Nunca houve na história da República um procurador-geral que tenha sido demandado por um crime de omissão, o senhor (Gurgel) é o pioneiro”, disse o advogado dirigindo-se ao procurador-geral, que acompanha diariamente o julgamento desde o início, no dia 2.
Para Barbosa, o MPF não conseguiu provar o esquema do mensalão. “Para este Tribunal condenar, ele precisa de provas. (Gurgel) Está se dirigindo à galera, ao povo que quer sangue. Está fazendo isso porque não está fazendo o seu trabalho. Isso sem falar no caso Demóstenes-Cachoeira, em que ele (Gurgel) ficou três anos sentado sobre.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.