Em um dos casos, o dinheiro foi depositado no comitê de campanha de Temer e depois repassado ao PMDB. No outro, o dinheiro passou pelo comitê financeiro da campanha nacional. O governo Michel Temer afirma que as doações foram legais e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Agentes da Polícia Federal, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, fizeram buscas em diversos endereços, inclusive na sede da Rodrimar, em Santos (SP). As investigações da PF e da Procuradoria apontam para "uma efetiva possibilidade de um esquema contínuo de benefícios públicos em troca de recursos privados para fins eleitorais". O inquérito indica que o esquema vigora há pelo menos vinte anos no setor de portos.
O ministro proibiu expressamente que a Polícia Federal preste informações sobre as diligências, realize coletivas sobre o assunto. "Qualquer esclarecimento (deve) ser prestado por meio de nota da Procuradoria-Geral da República", determinou Barroso. O magistrado autorizou que o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal e a Receita Federal possam ter acesso aos arquivos eletrônicos apreendidos na operação.
Além das prisões, o ministro do STF determinou a intimação para depoimento de quatro pessoas, entre elas, a arquiteta Maria Rita Fratezi, esposa do Coronel Lima e sócia do marido na PDA Projeção e Direção Arquitetônico Ltda. "Trata-se da empresa que realizou a reforma de alto custo em imóvel da senhora Maristela Temer, filha do Excelentíssimo Senhor Presidente da República. Há informações sobre pagamentos de altos valores em espécie", destacou Barroso. Edson Coelho Araújo, Almir Martins Ferreira e Zuleika Borges Torrealba, também foram intimidados a depor. Zuleika, de 85 anos, deve ser ouvida onde for encontrada.