Política

Segundo dia do julgamento do mensalão começa com acusação do procurador-geral

Roberto Gurgel terá até cinco horas para falar no plenário do STF

A sessão do segundo dia do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) começou com atraso, por volta das 14h25min desta sexta-feira, com a manifestação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que terá até cinco horas para formalizar a acusação dos 38 réus do processo. Ele explicará porque cada denunciado deve ser condenado, segundo o Ministério Público.

Pelo cronograma original, a manifestação do procurador-geral estava prevista para ocorrer na primeira sessão, nessa quinta-feira. Porém, os planos mudaram depois que o advogado e ex-ministro da Defesa Márcio Thomaz Bastos, que defende o réu José Roberto Salgado, pediu o desmembramento do processo em relação aos acusados sem foro privilegiado no STF. A análise da solicitação, que foi endossada pelos advogados dos acusados Marcos Valério e José Genoíno, levou mais de três horas e adiou a exposição de Gurgel. A manifestação dos primeiros cinco advogados de defesa, prevista para acontecer na tarde desta sexta-feira, também deve ser adiada para segunda-feira.

Acompanhe a sessão do STF ao vivo pela TV Justiça:



Primeiro dia de julgamento é marcado por bate-boca

A sessão de abertura do julgamento do mensalão começou com o pedido de Thomaz Bastos para separar o processo. Os primeiros momentos foram marcados por um bate-boca entre os ministros Ricardo Lewandowski, revisor do processo, e Joaquim Barbosa, relator.

Depois de horas de apreciação, a maioria dos ministros decidiu pelo indeferimento da questão de ordem levantada pelo advogado. Foram nove votos contrários ao pedido – de Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli , Cármen Lúcia, Cezar Peluso, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto, presidente da Corte - e dois a favor, dos ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio. Após um intervalo de 30 minutos, o ministro Joaquim Barbosa fez uma breve leitura de um resumo de três páginas do relatório.

O mensalão

O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus no processo, entre eles, o ex-ministro e deputado federal já cassado José Dirceu, o ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do PTB Roberto Jefferson - que denunciou o esquema em 2005 -, e o publicitário Marcos Valério, que seria o responsável por fazer o transporte das propinas. A denúncia é referente aos crimes de corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e peculato.

Com informações da Agência Brasil

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