Política

Senado veta recondução de Bernardo Figueiredo à diretoria da ANTT

Governo amargou derrota com votos da base aliada que impediram a aprovação do administrador público

O Senado rejeitou, nesta quarta-feira, a recondução de Bernardo Figueiredo à diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Após longa discussão na qual diversos senadores acusaram Figueiredo de estar sob suspeição por causa de irregularidades apontadas na agência pelo Tribunal de Contas da União, a votação terminou com 36 votos contra a recondução, 31 a favor e uma abstenção.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o principal opositor à recondução de Figueiredo. Ele falou diversas vezes sobre os processos aos quais o diretor suspenso responde. Requião acusou o ex-diretor da ANTT de ocupar o cargo para defender interesses das empresas para as quais trabalho. “É um tecnocrata híbrido, defendendo o interesse do setor privado na associação nacional, assinando a concessão e modelando a privatização. Por muito menos este plenário já rejeitou indicações de administradores públicos”, salientou o senador.

Apesar de Requião ter sido apoiado por diversos senadores de oposição, a principal justificativa dos governistas para a derrota é a insatisfação da base aliada do governo. Após a votação, o petista Lindbergh Farias (RJ) disse que a votação teve a ver “com tudo, menos com a ANTT”. “O governo foi derrotado pela base aliada”, disse o senador. Na opinião dele, os aliados mandaram “vários recados” para a presidente Dilma Rousseff e os integrantes do governo.

Por se tratar de votação secreta, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), admitiu que a margem para dissidências na base de apoio ao governo era maior. Apesar disso, Jucá disse que não poderia ter evitado a votação por causa das acusações contra Figueiredo, que surgiram durante o debate. “Depois de todo esse alarde, se não colocássemos para votar, seria a aceitação de que ele não tinha condições de ser reconduzido”, justificou.

Ele também reconheceu que muitos senadores dos partidos que dão apoio à presidente Dilma estão insatisfeitos com a maneira como vem sendo tratados pelo governo. Segundo ele, os aliados reclamam que não são recebidos pelos ministros e não têm suas demandas analisadas pelo governo. Apesar disso, Jucá enfatizou que o problema maior não está no PMDB.

Na terça, diversos parlamentares do partido entregaram ao vice-presidente Michel Temer manifesto no qual pedem mais espaço no governo. Mesmo assim, Jucá evitou relacionar a derrota de hoje aos colegas de legenda. “Não tem um problema específico com o PMDB, é uma coisa diluída por todos os partidos da base aliada.”

Figueiredo não contestou a decisão do Senado. “Não tenho nada a dizer sobre isso. Não tenho nenhum sentimento com relação a isso”, disse o ex-diretor da ANTT. Sua recondução ao cargo já havia sido aprovado pela Comissão de Infraestrutura do Senado. Agora, o governo terá que indicar outro nome, que precisará passar por sabatina e aprovação na comissão, antes de ter o nome analisado pelo plenário da Casa.


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