O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o principal opositor à recondução de Figueiredo. Ele falou diversas vezes sobre os processos aos quais o diretor suspenso responde. Requião acusou o ex-diretor da ANTT de ocupar o cargo para defender interesses das empresas para as quais trabalho. “É um tecnocrata híbrido, defendendo o interesse do setor privado na associação nacional, assinando a concessão e modelando a privatização. Por muito menos este plenário já rejeitou indicações de administradores públicos”, salientou o senador.
Apesar de Requião ter sido apoiado por diversos senadores de oposição, a principal justificativa dos governistas para a derrota é a insatisfação da base aliada do governo. Após a votação, o petista Lindbergh Farias (RJ) disse que a votação teve a ver “com tudo, menos com a ANTT”. “O governo foi derrotado pela base aliada”, disse o senador. Na opinião dele, os aliados mandaram “vários recados” para a presidente Dilma Rousseff e os integrantes do governo.
Por se tratar de votação secreta, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), admitiu que a margem para dissidências na base de apoio ao governo era maior. Apesar disso, Jucá disse que não poderia ter evitado a votação por causa das acusações contra Figueiredo, que surgiram durante o debate. “Depois de todo esse alarde, se não colocássemos para votar, seria a aceitação de que ele não tinha condições de ser reconduzido”, justificou.
Ele também reconheceu que muitos senadores dos partidos que dão apoio à presidente Dilma estão insatisfeitos com a maneira como vem sendo tratados pelo governo. Segundo ele, os aliados reclamam que não são recebidos pelos ministros e não têm suas demandas analisadas pelo governo. Apesar disso, Jucá enfatizou que o problema maior não está no PMDB.
Na terça, diversos parlamentares do partido entregaram ao vice-presidente Michel Temer manifesto no qual pedem mais espaço no governo. Mesmo assim, Jucá evitou relacionar a derrota de hoje aos colegas de legenda. “Não tem um problema específico com o PMDB, é uma coisa diluída por todos os partidos da base aliada.”
Figueiredo não contestou a decisão do Senado. “Não tenho nada a dizer sobre isso. Não tenho nenhum sentimento com relação a isso”, disse o ex-diretor da ANTT. Sua recondução ao cargo já havia sido aprovado pela Comissão de Infraestrutura do Senado. Agora, o governo terá que indicar outro nome, que precisará passar por sabatina e aprovação na comissão, antes de ter o nome analisado pelo plenário da Casa.