Política

Sete ex-ministros da Justiça apoiam descriminalização do porte de drogas

Governador Tarso Genro é um dos signatários do documento que será entregue ao STF

Um documento assinado por sete ex-ministros da Justiça, em favor da campanha que pretende descriminalizar o porte de entorpecentes para consumo próprio, deve ser entregue ainda nessa terça-feira ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Na carta, as autoridades manifestam "sua posição pela inconstitucionalidade da repressão penal ao porte de drogas para uso próprio", argumentando que o Brasil é um Estado constitucional fundado na dignidade humana, na pluralidade política e na liberdade individual.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, é um dos signatátios do documento. Os outros seis ex-ministros são Márcio Thomaz Bastos, Aloysio Nunes Ferreira Filho, Miguel Reale Júnior, José Gregori, José Carlos Dias e Nelson Jobim. Alguns deles participaram do governo de Fernando Henrique Cardoso e outros, do de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o movimento Viva Rio, autor do texto, o manifesto endossa recurso que está no STF e do qual Gilmar Mendes é relator. A decisão a ser tomada pelo plenário terá de ser aplicada aos demais processos sobre o tema em instâncias inferiores.

No documento, os ex-ministros afirmam que experiências em países como Portugal, Espanha, Colômbia, Argentina, Itália e Alemanha demonstram que a descriminalização do uso individual de drogas foi "um importante passo para racionalizar uma política de combate ao narcotráfico que não transforme a principal vítima do produto ilícito no objeto da persecução". A manifestação de apoio a campanha "Lei de Drogas: é preciso mudar" acontece na mesma semana em que deve ser votado o projeto de lei do deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) que pretende ampliar a pena para o tráfico de drogas. O grande problema desse projeto, segundo o Viva Rio, é que ele não especifica a quantidade de droga que diferencia um traficante de um usuário.

A nova proposta estabelece critérios objetivos de diferenciação entre traficantes e usuários e apresenta algumas soluções para modificar a lei 11.343, que regula a política de drogas no Brasil - como a descriminalização do consumo e o tratamento do dependente pela área da saúde e da assistência social. Ainda de acordo com o movimento, desde que a lei entrou em vigor no País, em 2006, o número de presos por crimes relacionados às drogas no país dobrou. "A maioria desses presos nunca cometeu outros delitos, não tem relação com o crime organizado e portava pequenas quantidades no ato da detenção", afirma a organização em nota.


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