O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, é um dos signatátios do documento. Os outros seis ex-ministros são Márcio Thomaz Bastos, Aloysio Nunes Ferreira Filho, Miguel Reale Júnior, José Gregori, José Carlos Dias e Nelson Jobim. Alguns deles participaram do governo de Fernando Henrique Cardoso e outros, do de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o movimento Viva Rio, autor do texto, o manifesto endossa recurso que está no STF e do qual Gilmar Mendes é relator. A decisão a ser tomada pelo plenário terá de ser aplicada aos demais processos sobre o tema em instâncias inferiores.
No documento, os ex-ministros afirmam que experiências em países como Portugal, Espanha, Colômbia, Argentina, Itália e Alemanha demonstram que a descriminalização do uso individual de drogas foi "um importante passo para racionalizar uma política de combate ao narcotráfico que não transforme a principal vítima do produto ilícito no objeto da persecução". A manifestação de apoio a campanha "Lei de Drogas: é preciso mudar" acontece na mesma semana em que deve ser votado o projeto de lei do deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) que pretende ampliar a pena para o tráfico de drogas. O grande problema desse projeto, segundo o Viva Rio, é que ele não especifica a quantidade de droga que diferencia um traficante de um usuário.
A nova proposta estabelece critérios objetivos de diferenciação entre traficantes e usuários e apresenta algumas soluções para modificar a lei 11.343, que regula a política de drogas no Brasil - como a descriminalização do consumo e o tratamento do dependente pela área da saúde e da assistência social. Ainda de acordo com o movimento, desde que a lei entrou em vigor no País, em 2006, o número de presos por crimes relacionados às drogas no país dobrou. "A maioria desses presos nunca cometeu outros delitos, não tem relação com o crime organizado e portava pequenas quantidades no ato da detenção", afirma a organização em nota.