Política

Silêncio de Cachoeira irrita parlamentares na CPI

Sessão foi encerrada depois que contraventor se negou a responder qualquer pergunta<br />

Cachoeira se recusou a responder aos questionamentos da CPI
Cachoeira se recusou a responder aos questionamentos da CPI Foto : José Cruz / ABr / CP
Após duas horas e meia de duração, terminou por volta das 16h30 desta terça-feira o depoimento do contraventor goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) que investiga suas relações com agentes públicos e privados. O bicheiro fez uso do direito que prevê a Constituição Federal e se recusou a responder aos questionamentos do colegiado, o que irritou alguns parlamentares. A oitiva ocorreu na sala 2 da ala Nilo Coelho do Senado e começou por volta das 14h05, com a palavra do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI, que abriu os trabalhos.

Para depor, Cachoeira sentou-se ao lado do advogado Márcio Tomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, e da esposa, Andressa Alves Mendonça. Preso em fevereiro pela Polícia Federal acusado de chefiar um esquema de jogos ilegais, corrupção e tráfico de influência, ele seguiu a orientação da defesa e permaneceu em silêncio diante das perguntas dos parlamentares, se limitando a dizer que “usaria o direito constitucional de ficar calado”. A defesa do bicheiro instruiu que ele não respondesse às perguntas para não produzir provas contra si.

Com a negativa de Cachoeira, os parlamentares aproveitaram o tempo que tinham para fazer discursos e críticas ao bicheiro. Depois de ter cinco perguntas não respondidas, o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG) afirmou que a atitude do contraventor era "desrespeitosa" diante do colegiado.

Irritado, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) desabafou após o silêncio do bicheiro no depoimento. “É muito triste. Mas eu quero dizer pra que ele não brinque com essa CPI”, declarou o parlamentar.

O deputado Bruno Araújo (PSDB/PE) evitou fazer perguntas a Cachoeira. Para ele, a CPI serviu como treinamento para o bicheiro em futuros depoimentos. “Usarei meu tempo registrando o claro respeito que temos pela regra do jogo, o direito constitucional. Mas o que de fato nós estamos fazendo aqui é permitindo um exercício e um treino ao depoente e seus advogados do que vai se dar no depoimento na Justiça”, ponderou.

Ao fazer uso da palavra, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) sugeriu o fim da oitiva. “Essa sessão está se tornando ridícula. Estamos aqui fazendo um papel ridículo diante desse cidadão, que está nos manipulando. O que as pessoas em casa vão pensar de nós? Eu não vou ficar aqui dando ouro pra bandido. Ele vai anotar nossas perguntas para voltar com as respostas”, desabafou a parlamentar, quando propôs que a sessão se transformasse em uma reunião administrativa.

Compartilhando da mesma opinião da senadora, o deputado Sílvio Costa (PTB-PE) também pediu o fim do depoimento. “Essa CPI corre um grande risco hoje de ser, amanhã, muito mal interpretada pela opinião pública brasileira”, acrescentou.

Após diversas manifestações favoráveis, os parlamentares resolveram aprovar o requerimento que pedia o fim da sessão. Apesar do silêncio de Cachoeira, o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que as investigações não serão prejudicadas. "Há outras formas de conduzirmos a investigação. Claro que as oitivas dos investigados são importantes, mas não existe só um instrumento de investigação”, disse o deputado.

Após o depoimento, Cachoeira deixou o Senado em direção ao Complexo Penitenciário da Papuda no Distrito Federal, onde permanece preso. Os membros da comissão voltam a se reunir na quinta-feira. Carlinhos Cachoeira será ouvido na Justiça Federal de Goiás até 1º de junho e depois, deve ser convocado para comparecer, novamente, à CPI.

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