Para depor, Cachoeira sentou-se ao lado do advogado Márcio Tomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, e da esposa, Andressa Alves Mendonça. Preso em fevereiro pela Polícia Federal acusado de chefiar um esquema de jogos ilegais, corrupção e tráfico de influência, ele seguiu a orientação da defesa e permaneceu em silêncio diante das perguntas dos parlamentares, se limitando a dizer que “usaria o direito constitucional de ficar calado”. A defesa do bicheiro instruiu que ele não respondesse às perguntas para não produzir provas contra si.
Com a negativa de Cachoeira, os parlamentares aproveitaram o tempo que tinham para fazer discursos e críticas ao bicheiro. Depois de ter cinco perguntas não respondidas, o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG) afirmou que a atitude do contraventor era "desrespeitosa" diante do colegiado.
Irritado, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) desabafou após o silêncio do bicheiro no depoimento. “É muito triste. Mas eu quero dizer pra que ele não brinque com essa CPI”, declarou o parlamentar.
O deputado Bruno Araújo (PSDB/PE) evitou fazer perguntas a Cachoeira. Para ele, a CPI serviu como treinamento para o bicheiro em futuros depoimentos. “Usarei meu tempo registrando o claro respeito que temos pela regra do jogo, o direito constitucional. Mas o que de fato nós estamos fazendo aqui é permitindo um exercício e um treino ao depoente e seus advogados do que vai se dar no depoimento na Justiça”, ponderou.
Ao fazer uso da palavra, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) sugeriu o fim da oitiva. “Essa sessão está se tornando ridícula. Estamos aqui fazendo um papel ridículo diante desse cidadão, que está nos manipulando. O que as pessoas em casa vão pensar de nós? Eu não vou ficar aqui dando ouro pra bandido. Ele vai anotar nossas perguntas para voltar com as respostas”, desabafou a parlamentar, quando propôs que a sessão se transformasse em uma reunião administrativa.
Compartilhando da mesma opinião da senadora, o deputado Sílvio Costa (PTB-PE) também pediu o fim do depoimento. “Essa CPI corre um grande risco hoje de ser, amanhã, muito mal interpretada pela opinião pública brasileira”, acrescentou.
Após diversas manifestações favoráveis, os parlamentares resolveram aprovar o requerimento que pedia o fim da sessão. Apesar do silêncio de Cachoeira, o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que as investigações não serão prejudicadas. "Há outras formas de conduzirmos a investigação. Claro que as oitivas dos investigados são importantes, mas não existe só um instrumento de investigação”, disse o deputado.
Após o depoimento, Cachoeira deixou o Senado em direção ao Complexo Penitenciário da Papuda no Distrito Federal, onde permanece preso. Os membros da comissão voltam a se reunir na quinta-feira. Carlinhos Cachoeira será ouvido na Justiça Federal de Goiás até 1º de junho e depois, deve ser convocado para comparecer, novamente, à CPI.