Política

“Só visão descolada da realidade encontrará neste julgamento posição política”, diz Barroso sobre condenações da trama golpista

Presidente do STF classificou esforços da 1ª Turma como “divisor de águas da história do Brasil”

Corte chegou ao veredito nesta quinta-feira
Corte chegou ao veredito nesta quinta-feira Foto : Pablo Porciuncula / AFP / CP

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, disse que "só o desconhecimento profundo dos fatos ou uma motivação descolada da realidade encontrará nesse julgamento (da trama golpista) algum tipo de perseguição política”. Barroso fez um breve discurso após a decisão da Primeira Turma do STF de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, dano ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

O presidente do STF disse que não faria nenhum juízo de mérito sobre o caso, mas elogiou o trabalho “hercúleo” do ministro Alexandre de Moraes e disse que o caso foi um “divisor de águas na história do Brasil”. Ainda segundo Barroso, tratou-se de um “julgamento público, transparente, com devido processo legal, baseado nas provas mais diversas, vídeos, textos, mensagens, confissões”.

"O Tribunal cumpriu missão importante e histórica de julgar, com base em evidências importantes, autoridades civis e militares por tentativa de golpe de Estado. Ninguém sai hoje daqui feliz, mas temos que cumprir com serenidade e coragem as missões que a vida nos dá”, afirmou o ministro.

Segundo Barroso, "estamos encerrando os ciclos do atraso na vida brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional”. “Estou convencido que incompreensões de hoje vão se transformar em reconhecimento no futuro”, afirmou. “Desejo que estejamos virando uma página da vida brasileira e espero que possamos reconstruir relações, pacificar o País e trabalharmos por uma agenda comum e verdadeiramente patriótica, sem intolerância, extremismo e incivilidade”, declarou o ministro, antes de encerrar a sessão da Primeira Turma do STF.