Política

Sob pressão do clima, setor financeiro brasileiro vai à COP31 para avançar em transição verde

Bancos e seguradoras participam da Conferência do Clima na Turquia nesta segunda-feira

Bancos e seguradoras participam da Conferência do Clima na Turquia nesta segunda-feira
Bancos e seguradoras participam da Conferência do Clima na Turquia nesta segunda-feira Foto : OZAN KOSE / AFP

O setor financeiro brasileiro chega à 31ª Conferências das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP31), na Turquia, com a ambição declarada de projetar compromisso institucional com a transição a uma economia de baixo carbono.

A pauta tem consolidado papel central na gestão de risco de bancos e seguradoras, mas ainda esbarra na relevância de indústrias intensivas em carbono e no baixo nível de cobertura de seguros. Um ano após discutir os desafios em casa, na COP de Belém, uma delegação de executivos e representantes de entidades setoriais desembarca em Antália, na Riviera Turca, com medidas e propostas para avançar a agenda. O pacote inclui instrumentos para financiar a transição verde, atrair capital privado, desenvolver o mercado de carbono e ampliar a proteção securitária do agronegócio.

A conferência começa nesta segunda-feira, 9, e se estende até 20 de novembro. Uma confluência de eventos climáticos extremos e a versão mais severa do El Niño renovaram a dimensão econômica do tema, em um País exposto a prejuízos bilionários por fenômenos como enchentes e vendavais. Entre 2019 e 2024, o Brasil gastou quase 10 vezes mais com resposta e reconstrução após desastres naturais do que com ações de prevenção, de acordo com um estudo da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

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Impacto no agronegócio

"Vamos à COP mostrar o setor segurador como um pilar estratégico tanto na transição climática quanto em projetos de investimentos e mitigação de riscos", afirma a diretora de sustentabilidade da CNSeg, Claudia Prates.

Na linha de frente dos prejuízos, o agronegócio terá espaço significativo nas discussões. No ano passado, a área plantada por seguro rural no Brasil caiu a 3,2 milhões de hectares, um tombo de quase 80% em relação ao pico de 13,7 milhões em 2021, segundo a CNSeg. A queda foi atribuída, entre outros fatores, às incertezas na subvenção pública à cobertura securitária no campo, que enfrentou sucessivos contingenciamentos nos últimos anos.

Em setembro, o Congresso aprovou uma legislação que transforma os subsídios em despesas obrigatórias. "Com uma política de subvenção constante e crescente, o agro fica mais protegido e, com isso, tem menos inadimplência. Isso consegue reduzir os spreads do banco e cria um círculo virtuoso", ressalta Prates.

Bancos e finanças sustentáveis

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também levará à COP31 uma agenda de iniciativas para aproximar a gestão de risco climático do crédito. Em linha com os objetivos que o Brasil apresenta na Turquia mapa do caminho para acelerar saída dos combustíveis fósseis, a entidade atualizou no mês passado a taxonomia de Finanças Sustentáveis, metodologia que define critérios objetivos para classificar as operações financeiras de acordo com os critérios de sustentabilidade. A revisão alinha o sistema ao modelo mais abrangente instituído pelo governo em 2025, a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB).

A representante dos grandes bancos também desenvolveu uma ferramenta de cálculo e padronização de emissões financiadas de gases de efeito estufa das carteiras das instituições associadas. "Estamos em um momento de sair de um espaço de compromissos para uma agenda de ação, implementação, de investimentos", garantiu o diretor executivo de Sustentabilidade da Febraban, Amaury Oliva.

*O repórter viajou a convite da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg)