Nesta terça, o sexto magistrado da Corte considerou Dirceu culpado. Votaram pela condenação o relator Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello. Ricardo Lewandowski, revisor da ação penal, e Antonio Dias Toffoli entenderam que não há provas para condenar o antigo chefe da Casa Civil.
A etapa analisada trata das acusações de corrupção ativa no governo Lula, entre 2003 e 2004. Entre os dez acusados, está a antiga cúpula do PT, formada por Dirceu, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex-presidente da sigla José Genoino. Também são réus o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e Marcos Valério, além de ex-sócios e ex-funcionários das agências de publicidade dele. Genoíno também alcançou votos suficientes para sua condenação nesta terça.
Em carta aberta, Dirceu destacou sua participação no movimento estudantil e a prisão em 1968, durante o XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes. Citou ainda o banimento e cassação da nacionalidade brasileira em 1969, argumentando que voltou clandestinamento para "lutar pela liberdade do povo brasileiro" até a anistia.
Dirceu frisou que foi tratado como pária da sociedade por 10 anos até poder retomar sua identidade e vida política, antes de protestar contra os acontecimentos pós-mensalão. "Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu", relatou.
"A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha", criticou o ex-deputado. "Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência."