Política

STF descarta inclusão de Lula no processo do mensalão

Defesa do ex-ministro dos Transportes encerrou pronunciamentos da terça negando envolvimento de Anderson Adauto

STF descarta inclusão de Lula no processo do mensalão
STF descarta inclusão de Lula no processo do mensalão Foto : Nelson Jr. / SCO / STF / CP
A inclusão do ex-presidente Lula na ação penal do mensalão, pedida pela defesa do presidente do PTB, Roberto Jefferson, é descartada por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Reservadamente, os ministros lembraram que já decidiram em quatro oportunidades não incluir o nome do ex-presidente na ação penal. Esta seria a quinta vez. Em mais um dia de pronunciamento da defesa de réus, cuja sessão encerrou às 20h, os advogados alegaram que seus clientes receberam valores supostamente de fontes lícitas e para quitar dívidas de campanha.

O ministro Marco Aurélio Mello afirmou não caber ao tribunal acrescentar nomes à ação penal. Se fosse o caso, argumentou o ministro, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, deveria ter denunciado o ex-presidente. Agora não há mais o que fazer.

"O Judiciário não tem a iniciativa de abrir uma ação penal contra quem quer que seja. O Supremo atua mediante provocação da ação penal. A Procuradoria-Geral da República tinha conhecimento do que estava nos autos", afirmou Marco Aurélio. "O Supremo é um órgão inerte. O Judiciário não tem a iniciativa em ação penal pública contra quem quer que seja", acrescentou. Marco Aurélio disse ainda que não cabe aos ministros "puxar a orelha" do procurador-geral da República por não ter incluído o nome de Lula entre os réus do mensalão.

Outro ministro afirmou que o assunto já está decidido pelo STF. Em quatro oportunidades, também analisando pedidos feitos pela defesa de Jefferson, os ministros julgaram não caber ao tribunal incluir o nome do ex-presidente na lista de réus. A decisão da Corte, adiantou este ministro, será a mesma no novo pedido.

Na sessão de segunda-feira, o advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, acusou Lula de ser o mandante do esquema do mensalão e pediu a conversão do julgamento em diligência para que o nome do ex-presidente fosse incluído para ser julgado.

"É claro que Vossa Excelência (o procurador-geral) não poderia afirmar que o presidente fosse um pateta, um deficiente, que sob suas barbas isto estivesse acontecendo e ele não sabia de nada", afirmou Barbosa. "Não se portou (Lula) como um pateta, como quer o procurador-geral da República, mas como omisso que traiu a confiança do povo", acrescentou.

O último pronunciamento desta terça foi do advogado Roberto Garcia Lopes Pagliuso, representante do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. Ele salientou que o Ministério Público Federal (MPF) não conseguiu comprovar envolvimento do político na instrução do processo do mensalão.  O MPF acusa Adauto de ter recebido R$ 950 mil. A defesa só admite que ele pegou R$ 410 mil para quitar dívidas da campanha de Adauto, como despesas com combustível e trio elétrico. O dinheiro, disse o advogado, foi sacado pelo ex-chefe de gabinete José Luiz Alves e pelo irmão do ex-ministro no esquema montado pelo publicitário Marcos Valério. "Não havia nenhum motivo para desconfiar daquela origem do recurso", afirmou.

Além do representante de Adauto, foram ouvidos o ex-deputado petistas Professor Luizinho (SP), acusado de ter recebido R$ 20 mil do esquema para votar favoravelmente ao governo; o ex-deputado João Magno (MG), que teria recebido R$ 360 mil; Paulo Rocha (BA), acusado de receber R$ 820 mil; e sua assessora parlamentar na época, Anita Leocádia, que teria sacado R$ 620 mil. Todas as defesas alegaram que os envolvidos cumpriram ordens, acreditando estarem com dinheiro lícito para quitar dívidas de campanha.

O último réu a apresentar defesa é o ex-ministro dos Transportes (PL, atual PR) Anderson Adauto, atual prefeito de Uberaba (MG). Segundo a acusação, ele recebeu R$ 950 mil e ajudou a montar o esquema de compra de apoio político no PTB. O ex-ministro nega participação no esquema e afirma que o valor foi usado para pagar dívidas de campanha.


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