Política

STF deve julgar se Congresso pode votar novo sistema de governo sem plebiscito

Processo visa implementar o parlamentarismo sem consulta popular

STF deve julgar se Congresso pode votar novo sistema de governo sem plebiscito
STF deve julgar se Congresso pode votar novo sistema de governo sem plebiscito Foto : Marcello Casal Jr / Agência Brasil / CP Memória
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar nesta quarta-feira se o sistema de governo do Brasil pode ser modificado pelo Congresso por meio de emenda à Constituição, sem a realização de consulta à população por meio de plebiscito. O processo voltou à pauta de julgamento da Corte em outubro do ano passado, após ter ficado engavetado por quase oito anos, tendo passado pelas mãos de quatro ministros relatores. O atual relator é o ministro Teori Zavascki.

A ação corresponde a um pedido de mandado de segurança feito em 1997 pelo então deputado Jacques Wagner, hoje ministro-chefe do gabinete pessoal da presidenta Dilma Rousseff, depois que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propunha a implantação do parlamentarismo no Brasil.

Sob o parlamentarismo, o presidente continua a ser escolhido pelo voto, mas tem uma função mais formal, de proteção das instituições e nomeação de juízes do STF, por exemplo. A gestão cotidiana do Poder Executivo fica a cargo de um primeiro-ministro, que é indicado pelo Parlamento, mas pode cair automaticamente, junto com todo seu gabinete, caso perca a maioria que lhe dê sustentação no Legislativo.

A PEC 20/1995, de autoria do ex-deputado petista Eduardo Jorge, hoje no Partido Verde, encontra-se no momento apta a ser votada pelo plenário da Câmara. Atualmente, tramitam no Congresso, diversas propostas de mudança do sistema de governo, sendo a mais recente a PEC 9/2016, apresentada no mês passado pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Em parecer enviado na semana passada ao STF sobre o assunto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu o parlamentarismo.

A adoção de um sistema de semipresidencialismo voltou a ser discutida em meio à crise política desencadeada pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A mudança tem sido defendida abertamente por personalidades como o ministro do STF Luiz Roberto Barroso e por instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em 1993, o presidencialismo foi escolhido por meio de plebiscito como o sistema de governo para o Brasil. As outras opções eram o parlamentarismo e a monarquia.