Política

STF repudia suposta investigação de Fachin por ordem de Temer

Ministra Carmen Lúcia classificou como "gravíssimo crime" a pressão sobre juízes

STF repudia suposta investigação de Fachin por ordem de Temer
STF repudia suposta investigação de Fachin por ordem de Temer Foto : Andressa Anholete / AFP / CP
O Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu neste sábado a uma reportagem da revista Veja que assegura que o presidente Michel Temer ordenou o serviço de inteligência que investigasse o juiz Edson Fachin, relator da Lava Jato. Segundo a revista, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi encarregada de encontrar material comprometedor contra Fachin. Apesar de o palácio presidencial negar a informação, o STF, em um tom grave, repudiou qualquer pressão sobre seus juízes.

"É inadmissível a prática de gravíssimo crime contra o Supremo Tribunal Federal, contra a Democracia e contra as liberdades, se confirmada informação de devassa ilegal da vida de um de seus integrantes", afirma no comunicado a presidente do STF, ministra Carmem Lucia.

Descrevendo como prática "própria de uma ditadura", Carmen Lucia garantiu que o STF "repudia, com veemência, espreita espúria, inconstitucional e imoral contra qualquer cidadão e, mais ainda, contra um de seus integrantes, mais ainda se voltada para constranger a Justiça".

A declaração adverte para "consequências jurídicas, políticas e institucionais", caso as alegações sejam comprovadas. O STF conduz dezenas de casos de corrupção contra políticos, incluindo ministros, senadores e deputados. O próprio Temer é investigado por pagamento de propina e tentativa de obstrução da justiça por supostamente tentar impedir o avanço da Lava Jato.

A procuradoria-geral da República decidiu investigar Temer com base da deleção premiada de um dos proprietários da JBS, Joesley Batista, que inclui a gravação de um encontro com o presidente no Palácio do Jaburu onde supostamente há referência a subornos. Na sexta-feira, Temer se recusou a responder a um interrogatório com 82 perguntas por escrito enviadas pela Polícia Federal, e pediu o arquivamento da investigação por corrupção autorizada pelo Supremo.