Política

"Temer deixou de ser progressista para virar golpista e conspirador", afirma Dilma

Presidente respondeu sobre escolha do vice como opção para garantir governabilidade

Presidente respondeu sobre escolha do vice como opção para garantir governabilidade
Presidente respondeu sobre escolha do vice como opção para garantir governabilidade Foto : Marri Nogueira / Agência Senado / CP
A presidente Dilma Rousseff reforçou o desapontamento com as manobras do PMDB que levaram ao processo de impeachment e colocaram Michel Temer como interino no Planalto, na sessão do julgamento do impeachment nesta segunda-feira. Ao responder pergunta do senador Cristovam Buarque, sobre as qualidades de Temer para ser seu vice, ela foi taxativa. Para Dilma, o vice deixou de "ser progressista para ser golpista e conspirador".

A governante salientou a necessidade de garantir um "centro democrático" na política, para garantir a governabilidade e avanços no país. Ela salientou, contudo, que a história de lutas do PMDB, pelas quais citou Ulysses Guimarães, sofreu uma mudança de trajetória no seu segundo mandato. "Esse centro no segundo momento de meu mandato sofreu uma alteração profunda, deixando de ser democrático", frisou.

"O deputado federal Michel Temer foi escolhido para ser meu vice pois supúnhamos que era integrante de um centro democrático e progressista, até transformador", relatou Dilma. "Acreditávamos que ele representava o que havia de melhor no PMDB", ponderou. "Quando ao ser gravado, o senador Romero Jucá diz que Michel é Cunha, queria dizer o que? Que ele integra o grupo do deputado Eduardo Cunha", citou a presidente.

Apesar disso, Dilma salientou que não acredita que o presidente interino seja uma das principais "cabeças" do que classifica como golpe. "Eu acredito que o senhor Michel Temer seja um coadjuvante. Acho que o líder é o senhor Eduardo Cunha, ou era. Não tenho dúvidas disso. Por isso, lamento muito que tenha através dos meus gestos construído essa hipótese de ter um vice nessa situação", avaliou.