Política

Temo pela morte da democracia, diz Dilma com voz embargada

Presidente afastada afirmou que sentiu sabor amargo da injustiça

Temo pela morte da democracia, diz Dilma no Senado
Temo pela morte da democracia, diz Dilma no Senado Foto : Evaristo Sá / AFP / CP
A presidente afastada Dilma Rousseff, em discurso que marcou a abertura da sessão do processo de impeachment nesta segunda-feira no Senado, afirmou que teme a "morte da democracia". Com voz embargada, ela lembrou que morreu por quase duas vezes - quando foi torturada na ditadura e ao contrair um câncer.

"Serei julgada por crimes que não cometi", argumentou. Dilma afirmou que não enriqueceu e não desviou dinheiro em benefício próprio ou de seus familiares e que não tem conta no exterior. "Não posso deixar de sentir na boca o sabor amargo da injustiça", declarou. "As acusações dirigidas contra mim são injustas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter à pena de morte política", completou.  

A presidente lembrou que ao editar decretos de crédito suplementar, agiu em conformidade com a legislação vigente. "O Congresso não foi desrespeitado", declarou. "Querem me condenar por ter assinado decretos que atendiam demandas de diversos órgãos, inclusive do próprio Poder Judiciário?", questionou Dilma.

Para Dilma, o processo de impeachment é marcado por desvio de poder. Segundo ela, as acusações são frágeis. "Jamais haverá justiça na minha condenação. Forma só não basta. É necessário que o conteúdo da sentença seja justo", argumentou.



Confira a íntegra do discurso de Dilma Rousseff