A escalada de tensão entre o governo dos Estados Unidos e o Brasil não deve subir, no que se refere ao tarifaço, após notícia da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes na noite de segunda-feira. A avaliação é do professor de Relações Internacionais e Direito da Universidade LaSalle, Fabrício Pontin.
Desde a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de taxar em 50% os produtos brasileiros importados sob justificativa de que o governo federal e o Judiciário estavam realizando uma “caça às bruxas” a Bolsonaro, a relação entre os dois países, historicamente parceiros econômicos, ficou estremecida. As novas taxas entram em vigor nesta quarta-feira. Outro ponto de tensão ocorreu quando Trump sancionou Moraes através da Lei Magnitsky.
Apesar disso, as recentes manifestações da Casa Branca em relação ao caso brasileiro, na avaliação do professor, não dão indícios de que uma nova leva de ações virá. Um dos fatores que embasam isso é a manifestação emitida pelo governo Trump após a notícia da prisão de Bolsonaro, ao afirmar que “os Estados Unidos condenam a ordem de Moraes que impôs prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas”.
“É importante ler a reação do Trump agora. Já se estabeleceu umas exceções nas marcações das taxas e, ele mesmo (Trump) disse que está aberto à conversa. Ontem (segunda-feira), o governo lamentou a prisão do Bolsonaro, mas a nota não intensifica nenhum tipo de discurso, ela mantém o status quo”, explicou.
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Para Pontin, o governo norte-americano vem avaliando como as decisões impostas ao Brasil reverberam politicamente dentro do país. Isso porque a expectativa era de que, com a taxação aos produtos brasileiros, aumentasse a instabilidade econômica e, por consequência, a instabilidade política dentro do Brasil – o que beneficiaria o ex-presidente no pleito do próximo ano – e que o Judiciário brasileiro recuasse nas suas decisões. Ou, pelo menos, não endurecesse as medidas contra o ex-presidente. O efeito, contudo, foi o contrário.
“O que isso demonstra para o Trump é que ele está apostando em um grupo político que diz pra ele que tem possibilidade de encarar essa instabilidade política e se eleger na próxima eleição, mas que talvez não tenha essa capacidade”, afirmou.
Além disso, dentro das possíveis medidas que o governo norte-americano poderia tomar de imediato, boa parte delas não é palatáveis. Como o recuo nas exceções que foram articuladas dentro das taxações, com a retirada de uma série de itens dentro do hall dos 40%. Isso porque afetaria o próprio mercado americano, com um aumento de preço de produtos. “E não tem ideologia nos Estados Unidos que segure a inflação. O americano não tolera inflação”, reiterou o professor.