Política

Teori ainda não definiu data para analisar afastamento de Cunha

Pedido foi feito há quatro meses pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot

"Estou analisando", disse Teori, responsável pelas ações da Operação Lava Jato no STF
"Estou analisando", disse Teori, responsável pelas ações da Operação Lava Jato no STF Foto : José Cruz / ABr / CP
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, afirmou nesta terça-feira,que não tem data para levar ao plenário da Corte o pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do cargo e da cadeira de deputado federal. "Estou analisando", disse Teori, responsável pelas ações da Operação Lava Jato no STF.

O pedido foi feito há quatro meses pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas, como mostrou o jornal O Estado de S.Paulo na segunda-feira, a ideia de afastar o presidente de outro Poder enfrenta resistência entre os ministros e foi deixada de lado.

Após a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, porém, a tendência é o Supremo redefinir se enfrenta ou não o afastamento de Cunha. Uma das dificuldades para apreciar o pedido de Janot é a avaliação corrente, em mais de um gabinete no STF, de que a peça apresentada pela Procuradoria-Geral da República é frágil. Na visão de um integrante do tribunal, é mais interessante para a Corte manter a ameaça do afastamento sobre o presidente da Câmara do que correr o risco de derrubar o pedido de Janot em plenário.

O pedido de afastamento apresentado por Janot tem 183 páginas nas quais são listados os 11 pontos que a PGR vê como eventos que indicam prática de "crimes de natureza grave", com uso do cargo a favor do deputado, integração de organização criminosa e tentativa de obstrução de investigações criminais, fundamentados em material colhido no curso da Lava Jato, depoimentos de testemunhas e reportagens. Cunha é réu em ação penal que teve autorização por ser aberta pelo plenário do tribunal e alvo de mais dois inquéritos no Supremo.

Para o ministro Gilmar Mendes, do STF, a Corte precisará analisar a plausibilidade de Cunha ser afastado do cargo em caso do impeachment. Terceiro na linha sucessória presidencial, ele é réu na Lava Jato, o que o impede de assumir o cargo máximo do Poder Executivo.

Pela Constituição, o presidente da República ficará suspenso das funções quando o Senado receber denúncia sobre crimes de responsabilidade ou quando o STF receber denúncia sobre infrações penais comuns.

Em março, Cunha passou a ser o primeiro réu da Lava Jato no Supremo depois que os ministros aceitaram a denúncia contra ele em um dos três inquéritos pelo qual é investigado. Cunha foi acusado formalmente de receber propina de US$ 5 milhões no esquema de corrupção na Petrobras. Os valores seriam referentes a contratos de aluguel de navios-sonda firmados pela Diretoria Internacional da estatal, que era considerada cota do PMDB no esquema de corrupção.

O MPF também apura se Cunha e seus familiares mantiveram contas ilícitas na Suíça que teriam sigo irrigadas com dinheiro desviado da petroleira, além do recebimento ilegal de R$ 52 milhões em obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.