Política

TJ projeta fechar foros e comarcas se governo aprovar mudança em duodécimos

Chefes do Judiciário, MP, TCE, AL e Defensoria se reuniram hoje com quatro bancadas no Parlamento: PDT, PT, PTB e PP

Desembargador Luiz Felipe Silveira Difini, participou hoje de reuniões com pelo menos quatro bancadas na Assembleia Legislativa
Desembargador Luiz Felipe Silveira Difini, participou hoje de reuniões com pelo menos quatro bancadas na Assembleia Legislativa Foto : Mário Salgado / TJRS / CP
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, desembargador Luiz Felipe Silveira Difini, participou nesta terça-feira de reuniões com pelo menos quatro bancadas na Assembleia Legislativa. O objetivo era demonstrar os prejuízos que a PEC encaminhada pelo Executivo modificando o repasse dos duodécimos aos demais Poderes pode causar à sociedade.

Difini projeta que a proposta do governo estadual, determinando que o cálculo seja realizado a partir da receita corrente líquida efetivada (e não da previsão orçamentária, aprovada no ano anterior), vai determinar um contingenciamento severo, “tornando o Judiciário praticamente inadministrável”. Segundo ele, caso a PEC, inclusa no pacote de medidas protocoladas pelo governo, seja aprovada, o Judiciário vai ter de fechar Foros e Comarcas, além da reduzir horários de atendimento à população. Difini também alegou a impossibilidade de nomear novos juízes e repor servidores que se aposentarem.

O desembargador ainda ponderou, com os parlamentares, que a participação percentual de órgãos e poderes no orçamento do Estado demonstra que o Executivo, nos últimos 10 anos, aumentou o índice de 87,61% para 92,04%, enquanto o Judiciário teve queda orçamentária de 7.01% para 4,79%.

“O Executivo é o único Poder que teve um acréscimo em sua participação percentual e agora quer reduzir ainda mais a atuação dos demais Poderes, através de uma emenda que desrespeita a nossa autonomia, garantida pela Constituição”, salientou.

O desembargador visitou as bancadas do PDT, PT, PTB e PP, acompanhado do procurador-geral de Justiça, Marcelo Lemos Dornelles, da presidente da Assembleia Legislativa, deputada Silvana Covatti, do presidente do TCE, Conselheiro Marco Peixoto e do defensor público-geral do Estado, Cristiano Vieira Heerdt.