Política

Toffoli dá 72 horas para Câmara se manifestar sobre PEC contra STF

PSDB entrou com pedido de liminar no Supremo para suspender tramitação da matéria

Toffoli dá 72 horas para Câmara se manifestar sobre PEC contra STF
Toffoli dá 72 horas para Câmara se manifestar sobre PEC contra STF Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr / CP
Após a aprovação na comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nessa quinta-feira, de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o poder do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli deu um prazo de 72 horas para a Câmara dos Deputados se manifestar sobre o projeto. Diante do pedido de liminar suspender a tramitação da matéria, por parte do PSDB, o ministro decidiu ouvir o Legislativo.

O mandado de segurança de número 32036 foi despachado pelo STF nesta sexta-feira. Conforme o Supremo, o prazo passa a valer a partir do momento que a Câmara dos Deputados comunicar o recebimento da ordem. “Notifique-se a autoridade impetrada para que preste informações prévias acerca do pedido de liminar, no prazo de 72 (setenta e duas) horas, sem prejuízo de novo pedido de informações quando do julgado do mérito”, diz o mandado.

O ministro também abriu espaço no mandado para a Advocacia-Geral da União (AGU) poder se posicionar sobre o assunto. “Dê-se ciência à Advocacia-Geral da União para que se manifeste sobre eventual interesse de compor a lide”, acrescenta a notificação.

A PEC

A PEC é de autoria do deputado Nazareno Fontelles (PT-PI) e prevê a possibilidade de o Congresso reavaliar uma definição do STF, quando o Supremo decidir pela inconstitucionalidade de uma emenda à Constituição. Segundo o projeto, se os parlamentares discordarem do Poder judiciário, a questão será decidida em um plebiscito popular.

Após ser aprovada pela CCJ da Câmara, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) manifestou sua “perplexidade” com a aprovação da proposta. De acordo com a entidade, a PEC “tem a clara intenção de amordaçar o Judiciário, impedindo-o de continuar a exercer seu papel constitucional”.

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), afirmou afirmou que é preciso discutir sobre a interferência entre os poderes. "Não é um assunto do PT, a matéria não foi discutida na bancada e eu nem sabia que seria votado na CCJ", disse Guimarães. O petista classificou de "factóide" a repercussão do caso e disse que a decisão da CCJ foi normal. 

Já o líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), entrou com o pedido de mandado de segurança contra a tramitação da proposta. O mandado diz que a proposta “afronta a essência do Poder Judiciário da União, notadamente a função de guardião da Constituição atribuída ao STF".

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