Um piloto e empresário argentino radicado em Miami intermediou o pagamento pelo voo no qual o candidato presidencial derrotado Flávio Bolsonaro deixou o Brasil, informou à AFP uma fonte envolvida na operação.
Após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil em 28 de outubro, com destino aos Estados Unidos, em um jato particular que partiu da Argentina, depois que a Polícia Federal cancelou seus passaportes em razão de um suposto caso de lavagem de dinheiro.
A fuga, cercada de incógnitas, agrava as tensões de Brasília com os governos de Donald Trump e Javier Milei.
Acompanhado da esposa e das duas filhas, o senador voou na madrugada daquela quarta-feira a partir da cidade argentina de Puerto Iguazú, em uma aeronave da empresa argentina Baires Fly, que fez uma escala em Guayaquil, no Equador.
O empresário argentino Luis Grande, proprietário da Baires Fly, disse na semana passada à AFP que foi contratado por um ""broker" (intermediário)" que "vende voos e mora nos Estados Unidos".
Grande afirmou ter recebido um pagamento de 150 mil dólares (R$ 820 mil) em uma conta bancária argentina, proveniente de uma conta americana de uma sociedade pertencente ao intermediário, mas se recusou a identificá-lo e disse desconhecer quem estava por trás da contratação.
Uma fonte envolvida na operação afirmou, sob condição de anonimato, que o intermediário é o piloto e empresário argentino Fernando Martín Boye, radicado há mais de uma década em Miami, cidade onde Flávio Bolsonaro desembarcou.
Boye é proprietário de pelo menos duas sociedades no estado da Flórida, a Emerald Aviation e a Huracan USA, segundo registros públicos.
De acordo com duas fontes independentes do setor aeronáutico, Boye e Grande são amigos e já realizaram outros negócios juntos no passado.
A AFP entrou em contato com Boye, mas não obteve resposta.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, garantiu que os Estados Unidos não estiveram envolvidos "diretamente" no voo que partiu da Argentina, governada pelo ultraliberal Milei, aliado de Trump e de Flávio Bolsonaro.
A procuradora argentina Paloma Ochoa pediu nesta quinta-feira a abertura de uma investigação para apurar se o governo argentino utilizou recursos públicos para facilitar o voo, informou uma fonte judicial à AFP.
Flávio Bolsonaro afirmou ao The New York Times que "nenhum governo" ajudou na organização do voo e que levará "para o túmulo" o segredo sobre como a operação foi organizada.
Veículos de comunicação americanos publicaram na semana passada que o avião teria sido contratado após articulações de Jason Miller, um assessor de Trump.
Lula denunciou tentativas de interferência eleitoral dos Estados Unidos em favor de Flávio Bolsonaro, cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é aliado de Trump. Flávio Bolsonaro não reconheceu sua derrota eleitoral e se autoproclamou o verdadeiro "líder" do Brasil ao chegar aos Estados Unidos.