Política

Vice-líder da oposição incita Forças Armadas a agirem após operação contra Bolsonaro

Deputado Coronel Chrisóstomo (PL) citou 1964 com orgulho, afirmou que “o comunismo já está à porta” e pediu aos militares que “estejam ao lado do povo”

vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados, Coronel Chrisóstomo (PL-RO),
vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados, Coronel Chrisóstomo (PL-RO), Foto : Reprodução / CP

Durante coletiva de aliados de Jair Bolsonaro (PL) no Congresso Nacional em resposta à operação da Polícia Federal contra o ex-presidente, o vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados, Coronel Chrisóstomo (PL-RO), pediu ação das Forças Armadas, citando 1964, o ano do golpe militar no Brasil.

"Aonde nós vamos chegar? O que querem fazer do Brasil? Porque o comunismo já está à porta. Só quero fazer um último pedido para as Forças Armadas. Eu sou das Forças Armadas. Me orgulhava das Forças Armadas. Me orgulhei das Forças Armadas em 1964. Hoje, quero dizer o seguinte: Forças Armadas, estejam ao lado do povo brasileiro, estejam ao lado da democracia", bradou o parlamentar.

Ele ainda convocou a imprensa, que acompanhava a entrevista coletiva com diversos veículos jornalísticos. “Na década de 60, em 1964, a imprensa agiu em favor do povo. Está na hora da imprensa brasileira agir em favor do povo brasileiro, não somente nós, deputados e senadores".

Ao ser questionado por jornalistas sobre o que queria dizer ao buscar uma atitude dos militares citando o ano de 1964 – quando teve início o regime militar-, Chrisóstomo deixou o palanque.

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De acordo com o Código Penal brasileiro, em seu artigo 286, na sessão dos Crimes Contra a Paz Pública, é crime "incitar, publicamente, a prática ao crime". Segundo o parágrafo único do artigo, "incorre na mesma pena quem incita, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade". Define como "apologia ao crime".

O deputado também disse que Bolsonaro sofre perseguição. “Chega de perseguição. O Brasil não quer isso. O povo brasileiro não aceita isso. Chega! Não podemos ter um único sujeito, uma única autoridade, perseguindo impiedosamente um ex-presidente que só pensa em fazer coisas boas para o Brasil", discursou ainda, sem especificar se referia-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu as eleições de 2022, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, tratado como algoz no meio bolsonarista, ao TSE, que o tornou inelegível, ou à Polícia Federal, que deflagrou a operação contra o político do PL na manhã desta sexta-feira.