Política

"Vivo o pior momento da minha vida", diz Demóstenes Torres

Parlamentar apresenta defesa ao Conselho de Ética do Senado

Senador é investigado por envolvimento com contraventor Carlinhos Cachoeira
Senador é investigado por envolvimento com contraventor Carlinhos Cachoeira Foto : Pedro França / Agência Senado / CP
“Vivo o pior momento da minha vida”. Assim o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) começou sua defesa frente ao Conselho de Ética no processo disciplinar por quebra de decoro às 10h20min desta terça-feira. O parlamentar lamentou o constrangimento vivido pelos familiares em razão do escândalo em que se envolveu por conta de telefonemas trocados com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar um esquema de jogos ilegais, corrupção e tráfico de influência. Demóstenes chegou acompanhado de seu advogado Antônio Carlos de Almeida, o Kakai.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse ao chegar à reunião que considera a defesa do senador uma "missão impossível". Para o líder do PSDB, houve quebra de decoro. "Os fatos são contundentes e nada pode reverter essa expectativa de cassação de mandato", disse.

Acusado de defender os interesses de Cachoeira no Congresso Nacional, Demóstenes apresenta sua defesa oralmente. O advogado adiantou que o parlamentar deve usar os primeiros 20 minutos da sessão para falar sobre sua atuação na vida pública, ficando, a seguir, à disposição para responder perguntas dos colegas. Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no entanto, Kakai informou que ele pode ficar calado, exercendo o direito de não fornecer provas contra si, assim como fez Cachoeira na sessão de terça-feira passada.

"Estou inteiramente aberto a confrontar as denúncias com a defesa dele e elaborar um relatório levando em consideração tudo isso", disse o relator Humberto Costa (PT-PE), em entrevista à Rádio Senado.

As outras testemunhas indicadas por ele, o advogado Ruy Cruvinel e o próprio Carlos Cachoeira se recusaram a depor. Desde que começou a analisar a representação contra Demóstenes, o Conselho ouviu dois delegados responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo que resultaram na prisão de Cachoeira e revelaram a ligação do bicheiro com parlamentares.

A CPI mista que investiga as relações entre Cachoeira e agentes públicos e privados tem reunião considerada decisiva marcada para as 14h. A CPI deve finalmente decidir sobre dois temas polêmicos que geram divergências entre os parlamentares: a possível convocação de três governadores e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico relacionados á direção nacional da Delta Construções.

A convocação dos governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) tem sido motivo de polêmica nas últimas semanas. O assunto só seria posto em análise no dia 5 de junho; mas, diante da pressão de alguns dos integrantes da comissão, o presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB) antecipou a decisão para esta terça-feira (29), contando com o apoio dos parlamentares do PMDB, PT e PSDB. Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pedro Taques (PDT-MT) e Kátia Abreu (PSD-TO) e os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ) e Sílvio Costa (PTB-PE), por sua vez, protestaram, pois queriam que os requerimentos para as convocações tivessem sido apreciados na quinta-feira (24).

Outro assunto polêmico da pauta é a quebra de sigilo da Delta em âmbito nacional. Na semana passada, com a revelação de que recursos de contas da construtora no Rio de Janeiro abasteceram empresas de fachada que serviam à organização criminosa, o próprio relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), que inicialmente era contrário à ideia, admitiu pela primeira vez a necessidade de se investigar as atividades da matriz da empresa.

"A quebra de sigilos das filiais da Delta, no Centro-Oeste apontou indícios de que o ex-diretor Cláudio Abreu tinha autorização para movimentar contas nacionais da construtora", afirmou Cunha.

Na quarta-feira às 10h15 prestarão depoimento na CPI mista Cláudio Abreu, José Olímpio de Queiroga Neto, Gleyb Ferreira da Cruz, Lenine Araújo de Souza e Jayme Eduardo Rincón. Na quinta-feira às 10h15 é a vez de Demóstenes depor na CPI.

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