Política

Zavascki afirma que denúncia contra Cunha não influencia decisão sobre afastamento da Câmara

Relator da Lava Jato no STF vê dois processos como independentes

Relator da Lava Jato no STF vê dois processos como independentes
Relator da Lava Jato no STF vê dois processos como independentes Foto : Antonio Cruz/ABr/CP
Relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Teori Zavascki afirmou, nesta quinta-feira, que o fato de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter virado réu no âmbito da operação não influencia na decisão que deve ser tomada pela Corte de afastar ou não o peemedebista do cargo. Para ele, os dois processos são "independentes". O ministro destacou também que ainda não há uma data para a deliberação sobre o tema.

O pleno do Supremo decidiu, por unanimidade, abrir uma ação penal contra Cunha, diante dos indícios de que o parlamentar teria recebido US$ 5 milhões em propinas referentes a contratos de navios-sonda da Petrobras. O peemedebista, que responderá pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, já deu sinais de que não pretende deixar o cargo. Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o peemedebista usa a influência que tem como presidente da Câmara para atrapalhar as investigações.

O afastamento de Cunha da presidência da Câmara é um tema sensível para os ministros da Corte, que preferiam que o assunto fosse resolvido pelos próprios deputados, não pelo Supremo. Na quarta-feira, porém, enquanto proferia o seu voto, Teori fez um comentário que não passou despercebido por quem acompanhou a sessão. Ele afirmou que deixou de seguir o princípio da harmonia entre os poderes e optou por pedir dados da investigação a uma diretoria da Câmara e não ao presidente da Casa, porque Cunha era alvo de investigação. "A que ponto chegamos", exclamou o ministro Marco Aurélio Mello, quando ouviu o relato.