Após dois anos em declínio no Brasil, o abate de bovinos voltou a crescer em 2022. No período, foram abatidos 29,8 milhões de cabeças, um aumento de 7,5% frente ao ano anterior, de acordo com dados divulgados na quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retomada foi puxada pelo abate de fêmeas, que avançou 19,1% na mesma base de comparação, e o aumento de atividade foi acompanhado de recordes nas exportações brasileiras de carne bovina in natura, estimadas em 1,99 milhão de toneladas, destacou o órgão.
Em nota, o analista da pesquisa, Bernardo Viscardi, explicou que os números refletem os ciclos da pecuária. “Depois de um período de retenção das vacas para procriação, seguido pela entrada dos bezerros no mercado e sua consequente desvalorização pelo aumento da oferta, as fêmeas começam a ser destinadas ao abate”, disse. O estado de Mato Grosso permanece na liderança do ranking nacional no abate de bovinos, com participação de 15,8% no total.
O professor Julio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, observa que os dados nacionais estão associados à queda das cotações do boi gordo. “O pecuarista precisa vender mais gado. Quando não tem um número suficiente de cabeças, ele abate categorias que normalmente não seriam destinadas para o abate, que são as fêmeas em reprodução”, explica.
No Estado, afirma Barcellos, os abates de bovinos aumentaram apenas 2% no ano passado frente a 2021, portanto, em ritmo menor do que o verificado em termos nacionais. “Essa é a grande diferença, até porque o Rio Grande do Sul vem passando por uma recomposição do seu rebanho, com um aumento de categorias mais jovens”, detalha. De acordo com dados do NESpro, o rebanho gaúcho total declarado de bovinos cresceu 9% em 2022, para 11,9 milhões de cabeças.
No caso do abate de fêmeas, o avanço no Rio Grande do Sul também foi menor, de 10% no período analisado. Segundo o professor, diferentemente do fenômeno captado na pesquisa do IBGE, a fase de retenção de fêmeas em território gaúcho se encerrou antes, em 2021, e foi seguida pelo aumento gradual dos abates. Por isso, não há expectativa de intensificação na atividade em 2023, e sim de uma inversão de tendência. “Já estamos iniciando um ciclo que pode apontar para retenção nos próximos dois anos, desde que ocorra uma recuperação no mercado do boi gordo”, projeta o coordenador do NESPro.
