Rural

Avicultura espera que embargos por Doença de Newcastle sejam limitados

Suspensão temporária motivada por foco em SC interrompe exportações de frango do estado vizinho para China e Chile e de todo o Brasil para o México

Neste ano, até setembro, RS enviou ao mercado externo 561,7 mil toneladas de carne de frango
Neste ano, até setembro, RS enviou ao mercado externo 561,7 mil toneladas de carne de frango Foto : Asgav / Divulgação / CP

A detecção de um foco da Doença de Newcastle (DNC) em uma granja de aves em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, anunciada na segunda-feira (19) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), já afeta o fluxo comercial do Brasil com alguns importadores. A pasta suspendeu a exportação de carnes de frango para a China e o Chile. A restrição, no entanto, foi limitada apenas ao estado vizinho, após negociação conduzida pelo governo brasileiro. Para o México, foram suspensos os embarques provenientes de todo o território nacional. Fontes do setor apostam em agilidade para retomar as negociações e tendência de embargos “regionalizados”.

O bloqueio cautelar e temporário adotado pelo Mapa com os mercados mencionados é uma exigência dos protocolos bilaterais firmados com cada país. Em comunicado, a pasta informou nesta terça (20) que “mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas”.

De janeiro a setembro deste ano, o Brasil exportou 4,4 milhões de toneladas de carnes de aves, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A China foi o principal destino dos embarques, tendo importado 420,8 mil toneladas no período. Em nota, a ABPA diz manter a expectativa de “agilidade nas negociações para restabelecer os fluxos comerciais”, destacando o trabalho prévio de negociação dos certificados sanitários e a rapidez na comunicação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

“O alcance limitado das suspensões registradas até o momento reflete a importância dessa preparação e a confiança no sistema sanitário brasileiro”, afirma.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, diz que a entidade ainda não tem estimativas de possíveis prejuízos para o Estado em razão das suspensões e aguarda os desdobramentos do caso.

“Ainda é muito precoce, mas, como o setor avícola do Rio Grande do Sul já passou por algumas situações e tem uma certa experiência de contingência, acreditamos que não teremos grandes impactos nas exportações”, avaliou.

Entre janeiro e setembro de 2026, o Rio Grande do Sul enviou ao mercado internacional 561,7 mil toneladas de carne de frango, e a receita das vendas alcançou US$ 1,106 bilhão.

Segundo José Eduardo, muitos dos países importadores devem obedecer a critérios de regionalização. “Ou seja, embargos num determinado perímetro do local do foco detectado ou do município ou estado onde foi detectado”, comentou.

RS registrou caso em 2024

O assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Renan Hein dos Santos, lembra que este é o segundo caso de Newcastle em produção comercial registrado no Brasil. O primeiro ocorreu em julho de 2024, quando um foco foi identificado em um aviário gaúcho de Anta Gorda.

Na ocasião, o foco foi debelado em menos de dez dias após a confirmação. O Brasil aplicou uma autossuspensão temporária nas exportações para a China, que depois foram retomadas, mas o embargo a produtos do Rio Grande do Sul se estendeu até janeiro de 2025.

“E este tende a ser o padrão, Santa Catarina ficar fora do mercado por um tempo. Alguns países vão suspender o Brasil como um todo, caso do México, e outros vão fazer um embargo por região”, observa.

Para Renan, a resposta da Defesa Sanitária gaúcha na época foi muito ágil. “Nossa expectativa é que isso aconteça de novo, que fique um caso isolado e não se espalhe para mais municípios ou mais granjas”, disse.

No aviário catarinense, a doença se manifestou em 26 aves, de um total de 6.526, de acordo com o Mapa. A pasta declarou emergência zoossanitária em quatro municípios: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. No relatório enviado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), datado da segunda-feira, o início do surto é registrado em 21 de setembro, quando amostras das aves foram coletadas em vigilância ativa realizada pela pasta na região, com confirmação em 18 de outubro.

Os maiores importadores (janeiro a setembro de 2026)

China: 420,8 mil toneladas

Japão: 355,8 mil toneladas

Emirados Árabes: 343,5 mil toneladas

Arábia Saudita: 327 mil toneladas

União Europeia: 312,4 mil toneladas

África do Sul: 266,2 mil toneladas

Filipinas: 189 mil toneladas

México: 170,9 mil toneladas

Coreia do Sul: 152,1 mil toneladas

Singapura: 113,8 mil mil toneladas

Fonte: ABPA

| Foto: Arte de Leandro Maciel / CP