Expodireto

Acordo Mercosul-UE potencializa a conquista de novos mercados e investimentos para o RS

Os impactos do tratado comercial foram tratados em painel realizado pela Fiergs e Simers

Representantes da Fiergs, Simers e Invest RS discutiram oportunidades para a indústria do RS, especialmente a de máquinas agrícolas
Representantes da Fiergs, Simers e Invest RS discutiram oportunidades para a indústria do RS, especialmente a de máquinas agrícolas Foto : Karen Viscardi

A indústria do Rio Grande do Sul tem potencial para conquistar novos mercados e investimentos a partir da vigência do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado em 4 de março pelo Senado. Sua localização – vizinho de Argentina e Uruguai – poderá fomentar novos empregos, novas indústrias, novos fornecedores e atrair empresas internacionais. A avaliação é da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers). Mesmo não sendo consenso ou considerado “perfeito”, o tratado é celebrado após 26 anos de negociações. A análise foi feita durante o painel que tratou dos impactos do acordo comercial na manhã desta terça-feira (10), na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

Além disso, o Estado poderá ter outros ganhos. “O Mercosul precisa melhorar a sua infraestrutura e a sua institucionalidade e a União Europeia é o bloco de maior exemplo nesse sentido e as indústrias podem ganhar competitividade”, afirma o gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Gerex) Luciano D'Andrea. O Brasil, que detinha acesso a 8% do comércio internacional com preferência tarifária, a partir da parceria com a UE sobe para 34%. Mesmo com o avanço, Chile tem 83% de acesso ao mercado internacional com preferência tarifária, por exemplo.

“Se alguém quiser investir aqui (no Brasil e no RS), precisamos estar conectados com as cadeias globais de valor com tarifas preferenciais, o que é estratégico para a inserção internacional do Brasil”, reforça D'Andrea.

No segmento de máquinas agrícolas, o Simers considera as exportações para o bloco europeu uma alternativa para reduzir as perdas com a retração do mercado interno.

“O acordo é muito positivo e a indústria gaúcha está preparada para desenvolver tecnologia, tem uma qualidade excelente e está apta para concorrer com fabricantes da União Europeia”, afirma Bier.

A vice-presidente do Simers, Carolina Rossato, reforça que a produção local tem capacidade para concorrer com os fabricantes da União Europeia, que são muito fortes também em tecnologia e têm uma indústria estabilizada.

“O Brasil terá a oportunidade de exportar 1,5 mil novos produtos para a União Europeia. São produtos que exportamos para o mundo, que a União Europeia compra do mundo, mas não compra de nós”, considera D'Andrea.

O gerente da Fiergs destaca que é uma oportunidade importante para a indústria gaúcha, com oportunidades o setor de máquinas agrícolas, com oportunidades de investimentos.

O presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, ressalta o potencial de relação com o mercado europeu, que já vem sendo trabalhado pela indústria, e que ganha reforço da Invest RS na busca de investimentos. Empresa privada de interesse público, a Invest RS trabalha na promoção do Estado.

“Buscamos investimentos e trabalhamos de forma articulada e integrada com as estruturas que já existem em diferentes áreas, promovendo nossas empresas e produtos”, detalha Prikladnicki.

O bloco europeu é o segundo destino das exportações do RS, representando 13% de tudo que o Estado exporta. Nas importações do RS, a UE está em quarto lugar, representando 11% do total que vem de outros países. Atualmente, a balança comercial é positiva, mas pode melhorar. Segundo Luciano D'Andrea, os benefícios do novo patamar de relações com a UE trará uma série de benefícios. Confira:

- Crescimento da economia, comércio e investimentos

- Maior diversificação da economia brasileira

- Impacto positivo sobre outras negociações

- Redução de custos das importações de alta tecnologia, produtividade e modernização

- Maior segurança jurídica e homologação de práticas aduaneiras

- Maior inserção do Brasil nas cadeias globais de valor

- Avanços em aspectos institucionais do Mercosul

- Redução das barreiras tarifárias e não-tarifárias

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