Expodireto

Debate aborda sustentabilidade na agropecuária gaúcha na Expodireto 2025

Evento deu início a ciclo de encontros promovidos pelo Correio do Povo durante a feira realizada em Não-Me-Toque

Da esquerda para a direita, Pepe Vargas, Marcelo Arruda, Poti Campos e Claudinei Baldissera
Da esquerda para a direita, Pepe Vargas, Marcelo Arruda, Poti Campos e Claudinei Baldissera Foto : Camila Cunha

“Produção agropecuária sustentável, desafios e perspectivas” foi o título dado ao primeiro encontro do ciclo de debates promovido pelo Correio do Povo, durante a 25ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

O evento reuniu o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas (PT), o diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, e o presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Marcelo Arruda, com mediação do jornalista e editor-assistente de Rural, do Correio do Povo, Poti Silveira Campos.

“Sempre foi um desafio produzir de forma sustentável”, afirmou Pepe Vargas.

O parlamentar defendeu a adequação de políticas públicas diante da ocorrência, cada vez mais frequente, de efeitos climáticos como enchentes e estiagens no Rio Grande do Sul. Vargas salientou, por exemplo, a necessidade de combinar esforços de irrigação e reservação de água com ações que resguardem fontes hídricas.

“Vamos ter que pensar mais em reservação de água, na preservação dos mananciais. Não adianta a gente reservar não preservando, porque depois, lá no futuro, vai faltar”, disse o chefe do Legislativo.

Para Marcelo Arruda, além da adoção de “caminhos” que possibilitem a convivência com mudanças climáticas e o avanço da sustentabilidade no agronegócio é necessário assegurar a união de todos os “atores envolvidos”.

“Temos que realmente somar esforços e trabalhar junto. Federações, Assembleia, prefeituras, governos do Estado e federal, empresas de assistência técnica para fazer a grande mudança que vai nos permitir ter bons anos no futuro”, defendeu o presidente da Famurs.

O diretor técnico da Emater/RS, Claudinei Baldissera, lembrou que, desde 2020, somente o ano de 2021 ficou “um pouquinho fora dos episódios climáticos”. “Mas em 2020, 2022, 2023, 2024 e agora, 2025, temos uma pauta de recorrência muito forte”, relatou Baldissera.

O dirigente ressaltou que a estatal tem desenvolvido força de trabalho e estratégias de planejamento diante das adversidades meteorológicas, “especialmente para gerar informação, preciosa para o poder público delimitar a força de atuação e a força dos recursos públicos. A Emater tem se aperfeiçoado muito nesse sentido”.

Plano de desenvolvimento

Baldissera também propôs que a ação conjunta de “entidades, com os municípios e com o Estado” deve priorizar o estabelecimento de planos municipais de desenvolvimento rural, contemplando especificidades locais. Baldissera lembrou as dificuldades impostas pela situação do seguro rural.

“O seguro tem se tornado caro e pouco atrativo”, resumiu Claudinei Baldissera.

Para Pepe Vargas, a proposta de securitização defendida por produtores rurais gaúchos, para solucionar o endividamento do setor e a falta de garantias na atividade agropecuária, tem de ser melhor discutida.

“A proposta tem sido no sentido de que seja só aqui no Rio Grande do Sul. Aí, quando chegar no Senado, os outros estados também vão querer”, explicou Vargas.

O deputado considera que a “melhor estratégia” seria estabelecer um processo de negociação por meio do Conselho Monetário Nacional.

“Cada vez que tu vai fazendo concessão para outros Estados, a conta vai ficando mais salgada, mais difícil de fechar”, acrescentou Pepe Vargas.

Vargas abordou ainda a necessidade de iniciativas que mantenham o jovem no campo. Para tanto, o deputado se mostrou favorável à ampliação de experiências das Escolas Família Agrícolas, que adotam regimes de alternância.

Nesse modelo, o estudante permanece um período internado na instituição de ensino e outro na propriedade rural, aplicando os conhecimentos adquiridos. “Com isso, o jovem permanece na propriedade e dá sequência à produção”, avalia Vargas. Atualmente, as essas escolas são mantidas por esforço das próprias comunidades, não sendo instituições públicas.

Juventude em movimento

Baldissera destacou que a Emater/RS, em seus 70 anos de existência (que serão completados em junho), “sempre trabalhou com a juventude rural” e que a empresa, durante a Expodireto Cotrijal, está lançando o Projeto Juventudes em Movimento, com o objetivo de acentuar a ação da extensão rural naquela faixa etária. Nos últimos anos, tínhamos, em média, de 15 mil a 18 mil jovens assessorados por ano. Em 2024, alcançamos quase 30 mil jovens”, contabilizou.

Marcelo Arruda manifestou confiança de que a 25ª Expodireto Cotrijal resultará na apresentação de soluções importantes para o estabelecimento da agropecuária sustentável.

“Dentro desses cinco dias da ExpoDireto, a gente vai poder tirar bons ensinamentos e bons encaminhamentos”, disse o presidente da Famurs.

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