Reunidos em uma audiência pública durante a 25ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, na Região Noroeste do Estado, centenas de produtores rurais gaúchos uniram-se novamente, a exemplo do que fizeram ao longo de boa parte de 2024, para reivindicar uma solução para o endividamento que enfrentam depois de quatro safras frustradas em cinco anos.
Desta vez, a palavra que simboliza o movimento é securitização, uma prorrogação de 20 anos para pagamento do débito acumulado “com juro que cabe no bolso do produtor”, como define o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS), Carlos Joel da Silva.
A proposta está definida em dois projetos de lei que tramitam no Senado (PL 320/2025) e na Câmara dos Deputados (PL 341/2025). Idênticas, as propostas foram encaminhadas nas duas casas para possibilitar um andamento mais rápido.
A audiência do Senado, promovida tradicionalmente no último dia da feira, foi convocada, desta vez, pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), autor do PL 320, com apoio das entidades de representação do agro gaúcho. Nenhum representante do governo federal, alvo dos pedidos dos agropecuaristas, compareceu ao encontro.
Neste período, dezenas de discursos foram proferidos. O resultado prático foi um documento assinado pelo Palácio Piratini, Assembleia Legislativa, senadores e deputados federais pedindo uma audiência, na próxima semana, com os ministérios da Agricultura e Pecuária, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e Fazenda.
“Governos não agem. Governos reagem à pressão”, disse Heinze ao dar por finalizado o ato.
Um dos momentos mais importantes da reunião ocorreu durante apresentação do economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio Da Luz, sobre as perdas agropecuárias do Rio Grande do Sul entre 2020 e 2024. “Nem incluímos as de 2025 porque, lamentavelmente, ainda estão ocorrendo”, explicou Da Luz antes de expor números que silenciaram a plateia.
Nos cálculos da Farsul, o Rio Grande do Sul deixou de colher 40,6 milhões de toneladas no período, o equivalente a um faturamento de R$ 106 bilhões.
“Nunca um Estado perdeu tanto quanto nós perdemos neste ciclo”, disse o economista.
Da Luz salientou que o prejuízo é ainda maior “fora da porteira”. Somado à queda de faturamento da indústria vinculada ao agro, o total chega a R$ 319 bilhões.
Acrescentando a estimativa de baixa na colheita da safra de verão 2024/2025, o volume que a agricultura gaúcha deixa de produzir atinge 49,9 milhões de toneladas. Para ilustrar, o economista afirmou que o total é suficiente para encher 875.438 carretas bitrem, de 30 metros. Enfileirados, os veículos formariam uma fila de 26 mil quilômetros, o suficiente para ir e voltar do Oiapoque ao Chuí mais de duas vezes.
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