Expointer

Agronegócio sustentável e de baixo carbono domina discussões na Expointer

Debate realizado no RS Innovation Agro destacou medidas de mitigação de emissões da atividade agropecuária

Foto : Mauro Schaefer

A aposta na produção sustentável como estratégia para reduzir as emissões de carbono do agronegócio esteve no centro das discussões desta quarta-feira (31) na programação do RS Innovation Agro, espaço dedicado à tecnologia e à inovação que é uma das novidades da 45ª Expointer, em Esteio. O espaço funciona na Casa da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) no Parque de Exposições Assis Brasil.

Em uma apresentação entusiasmada, o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Domingos Velho Lopes, citou resultados da Cop-26 – a conferência do clima da Organização das Nações Unidas, realizada em novembro de 2021 –, como a consolidação do grupo de trabalho Koronivia, que destaca as atividades agropastoris como solução para as emissões de gases do efeito estufa. Lembrou que o presidente da Cop-26, Alok Sharma, veio ao Brasil há um ano para conhecer o modelo brasileiro de agricultura de baixo carbono, uma referência internacional no assunto. “E esse modelo nasceu no Rio Grande do Sul. Todas as cadeias produtivas estão dentro do estado. Nasceu aqui a integração lavoura-pecuária, o plantio na palha, o uso de produtos. Então, temos de vender essa imagem”, enfatizou.

Debate focado no balanço de carbono

Para Lopes, o debate em torno das emissões no sistema de produção precisa ser focado no balanço de carbono. “A atividade produtiva, em todos os segmentos que realizamos, sequestra mais carbono do que emite, e esse é o conceito que o mundo está trabalhando”, disse o secretário.

Outro participante do painel, o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, disse que a pressão internacional por ações de mitigação de emissões, assim como a difusão de notícias sobre desmatamento e queimadas, acabou causando prejuízos à imagem da agricultura brasileira. A adoção dessas medidas, defendeu Pereira, precisa ocorrer de maneira gradativa, em compasso com o desenvolvimento tecnológico, e não penalizar os produtores em um momento de preocupação com a segurança alimentar. “A Europa está pagando um preço muito caro por essa aceleração. Eles quiseram avançar tão rapidamente que esqueceram que a energia deles vinha do gás e do petróleo da Rússia”, comentou Pereira, que também é diretor de Mercado Internacional da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Para o dirigente, caminhos para o enfrentamento da questão ambiental devem ser – e estão sendo – buscados no mundo todo, mas essa meta não deve impor aos países uma “escolha de Sofia”. “O Brasil, potência agrícola mundial, é solução para o mundo, e não problema”, destacou Pereira.

Mediado pelo secretário estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia, Alsones Balestrin, o debate teve ainda a participação da secretária de Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, e do secretário da Casa Civil, Artur Lemos.