Expointer

Apelos ao fim da polarização e à união pela reconstrução marcam abertura da 47ª Expointer

Solenidade e Desfile dos Grandes Campeões ocorreu na manhã de sexta-feira, no Parque Assis Brasil, em Esteio

Camisetas do SOS Agro RS se destacaram no Desfile dos Grandes Campeões
Camisetas do SOS Agro RS se destacaram no Desfile dos Grandes Campeões Foto : Camila Cunha

Em uma solenidade marcada pelo duelo de dois touros na pista central da Expointer, na manhã desta sexta-feira, em Esteio, na tribuna de honra do Parque de Exposições Assis Brasil houve pedidos pelo fim da polarização política e agilidade do governo federal para atender aos pedidos do setor agropecuário para enfrentar o endividamento que ameaça a implantação da próxima safra. Aguardado com expectativa, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, não detalhou medidas ao setor, que seriam discutidas em reunião durante a tarde com entidades e instituições financeiras.

“As medidas, amplamente debatidas, posso garantir, não serão o esperado, não serão o sonho de todos os produtores, mas certamente permitirão a reconstrução com dignidade de todos os produtores. O trabalho continua”, disse.

O evento começou com cerca de 40 minutos de atraso e incluiu atrações artísticas e o Desfile dos Grandes Campeões, apresentando o melhor da genética das raças. A maioria dos tratadores, criadores e expositores que levava os animais à pista vestia camisetas dos movimento SOS Agro RS. Também desfilaram os vencedores de concursos de produtos da agroindústria familiar. O ministro Fávaro chegou o local depois que o evento já havia começado, por conta de dificuldades para conseguir um voo de Brasília. Ele foi o penúltimo a falar e disse que chegava para trazer boas notícias. Informou que o projeto de lei enviado ao Congresso para “desnegativar” produtores rurais havia sido aprovada na véspera, permitindo o acesso ao crédito rural a partir das medidas definidas pelo governo. “Após a solenidade, vamos sentar com produtores, entidades, governo e bancos para tirar todas as dúvidas das medidas, para que segunda-feira os produtores possam acessá-las”, disse.

O presidente do Sistema Ocergs Sescoop/RS, Darci Hartmann, reconheceu que as negociações com o governo federal “avançaram muito” desde quinta-feira. O presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva, reforçou o pedido de socorro federal.

“Estamos pedindo que as diferenças políticas não nos atrapalhem para resolvermos as questões da agricultura do Estado”, afirmou.

Joel falou que o Ministério da Fazenda precisa abrir o cofre. “Mais do que isso, que os agentes bancários também façam sua parte. Não criem problemas para que as resoluções cheguem para os produtores. Vamos desburocratizar, fazer as medidas chegarem lá”, destacou, reconhecendo os esforços dos governos estadual e federal.

O movimento SOS Agro RS tomou a pista central quando o presidente da Federação da Agricultura (Farsul), Gedeão Pereira, assumiu o microfone e lembrou que o Parque Assis Brasil foi tomados pelas águas de maio. Gedeão agradeceu o apoio do governo uruguaio nas enchentes de maio e também o trabalho do ministro Fávaro e do governador Eduardo Leite. “Acima de tudo, agradeço ao povo gaúcho, que mais uma vez demonstrou a sua coragem”, disse. O ministro extraordinário da Reconstrução, Paulo Pimenta, declarou que a retomada do Estado é um desafio, e reiterou que o Rio Grande do Sul sairá fortalecido.

“Só não temos condições de devolver ao povo gaúcho as 183 vidas que perdemos”, disse.

Eduardo Leite fechou a cerimônia, pontuando que a Expointer é a alavanca para a retomada do Estado. Leite fez referências ao ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Fernando Mattos, agradecendo ao governo uruguaio e a todos que enviaram ajuda ao Estado durante as enchentes. Também citou o movimento SOS Agro RS.

“Senhores ministros, vejam com atenção, aqui não há qualquer bandeira de partido político. Não há qualquer camiseta exaltando qualquer personalidade política. Não há sequer vaias nem gritos de ‘fora esse’, ‘fora aquele’, como vemos às vezes em outros movimentos. Há simplesmente um clamor, uma angústia expressa por aqueles que trabalham e empreendem no campo, que estão sofrendo não apenas desta calamidade, mas uma sucessão de frustrações na sua produção em função de outros eventos climáticos’”.

O governador frisou que a organização do setor rural não é de hostilidade, mas a favor do agronegócio e da produção. “Agradecemos os movimentos que já foram feitos. Não foram poucos, mas também temos, a partir desta movimentação dos produtores, que não é o suficiente. Precisamos de mais agilidade, menos burocracia, de facilidade para acessar esse crédito”, disse, sendo aplaudido.

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