Em dez anos, o número de produtores de leite reduziu 65% no Rio Grande do Sul, de acordo com um estudo apresentado pela Emater-RS/Ascar, na Expointer 2026, em Esteio, nesta terça-feira. De aproximadamente 84,2 mil em 2015, a redução foi para cerca de 28,9 mil em 2025. Na prática, portanto, mais de 55 mil famílias pararam de produzir leite no estado.
No entanto, segundo complemento de artigo do professor e pesquisador Wagner Beskow, o volume total de leite captado pela indústria permaneceu praticamente estável, devido a uma explosão de produtividade, diz ele. Neste ritmo, o RS deverá ter projetados 23,7 mil produtores ativos ainda neste ano, e em 2051, somente 2,7 mil, diz Beskow, ressaltando que propriedades que produzem abaixo de 500 litros/dia não conseguem remunerar a mão de obra, fazendo com que esta faixa de produção deva desaparecer por completo da indústria em até dez anos.
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“É um resultado que, sem dúvida, chama bastante a atenção. Ainda assim, podemos dizer com certeza que a qualidade do leite gaúcho se manteve, dentro de pretensões do estado de exportar e, assim, expandir para outros mercados”, disse o coordenador do estudo, o zootecnista e assistente técnico estadual na Emater, Jaime Eduardo Ries.
As causas destes resultados ainda serão apuradas futuramente, mas a Emater entrevistou uma amostragem de 571 famílias, 1% das que abandonaram, em 385 municípios gaúchos, com maior prevalência nas regionais de Santa Rosa, Ijuí, Passo Fundo, Frederico Westphalen e Lajeado, entre os dias 1º e 31 de julho. Entre as famílias entrevistadas, com múltiplas respostas possíveis, a maior causa externa é o baixo preço do leite, apontado por quase 80% dos produtores, seguido pelo custo de aquisição de insumos, com 66,7%, enquanto, internamente, a rotina exaustiva, diária e sem folgas foi determinante para dois terços das saídas.
A falta de mão de obra familiar foi citada por 61,3%, e o desinteresse dos filhos, por 37,8%. O destino das terras, em sua maioria, foi para o cultivo de grãos, com 59,4% das citações, seguido pela bovinocultura de corte, com 35,2%. Quanto às pessoas, a maioria da força de trabalho migrou para o cultivo de grãos, citado por 59,4%, além da pecuária de corte, com 41,9%. A aposentadoria foi dita por 17% dos entrevistados.
Já os animais, em sua esmagadora maioria, foi vendida para outros produtores, com 88,6%, enquanto 34,5% de outras famílias ex-produtoras disseram que eles foram destinados ao abate. O maquinário utilizado para a produção leiteira, predominantemente, permaneceu na propriedade sem qualquer utilização, citado por 64,6%. Apesar da eventual perda de renda líquida para pouco mais de um terço dos produtores, o sentimento geral após o abandono do leite é de expressiva satisfação, com 68,7% das famílias relatando melhora de vida.
Os eventuais riscos econômicos efetivamente não se sustentaram: para 41,5%, a renda familiar se manteve estável após a saída da atividade leiteira no Rio Grande do Sul, em sua maioria porque a renda líquida obtida com a venda do leite foi citada como muito pequena ou quase inexistente. Para 34,2%, a renda líquida diminuiu, e 14,5% disseram ter havido aumento. 39% das famílias respondentes disseram à Emater ter parado totalmente de produzir leite para o próprio consumo doméstico, ainda que 59,2% tenham mantido o mesmo nível de consumo de lácteos em suas dietas, porém com a compra do produto industrializado.