Parte do processo de reconhecimento do queijo colonial produzido na Serra Gaúcha, uma associação foi fundada com o objetivo de reunir produtores interessados em buscar a Indicação Geográfica (IG), que associa um produto à sua origem e características, reputação ou tradição relacionadas ao território, agregando valor. Uma assinatura formalizou a criação da entidade na manhã desta quarta-feira, na Expointer.
A iniciativa é um passo importante para que o produto possa, futuramente, pleitear o reconhecimento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Para o processo de obtenção de IG, é necessária uma entidade que represente os produtores envolvidos e possa conduzir as etapas junto às instituições responsáveis.
Os responsáveis pelo projeto que auxilia a desenvolver o reconhecimento do queijo destacaram a presença do produto na memória e na cultura alimentar do Estado, e a importância da estratégia para transformar a tradição em reconhecimento de origem.
Danilo Gomes, coordenador do projeto, destaca que o processo conecta a cadeia produtiva ao desenvolvimento econômico, turismo, preservação de paisagens e valorização cultural, principalmente diante do contexto do acordo União Europeia e Mercosul, que traz impactos à cadeia leiteira. "A indicação geográfica não é o fim, é um meio para a gente desenvolver território, valorizar e proteger o que é nosso".
Entre os pilares do trabalho, está o resgate histórico e cultural a partir de entrevistas e documentações, análises laboratoriais, com a caracterização dos aspectos físico-químicos do queijo, análises sensoriais do queijo e capacitações dos atores da cadeia.
A relação com o território, a produção de leite e a cultura das famílias rurais estão entre os fatores que diferenciam o produto. No Rio Grande do Sul, o queijo também carrega um reconhecimento afetivo, associado à memória, à identidade cultural e à tradição.
O que é uma Indicação Geográfica?
A Indicação Geográfica é um instrumento de propriedade intelectual concedido pelo INPI para identificar produtos ou serviços cuja qualidade, características ou reputação estejam relacionadas à sua origem geográfica. O reconhecimento pode proteger a identidade territorial, valorizar saberes e tradições e contribuir para ampliar a competitividade dos produtores e dos territórios. No Brasil, existem 165 IGs reconhecidas.
A criação da associação não representa a conquista da IG, mas é o passo para desenvolver esse reconhecimento. A partir da formalização da entidade, os produtores poderão avançar na organização do território, na definição das características que distinguem o queijo e outros elementos para fundamentar o pedido.
O diferencial do queijo colonial
No caso do queijo colonial gaúcho, a expectativa é que o processo também abra novas possibilidades de mercado. Daniel Cichelero, que produz leite e queijos em Carlos Barbosa há 25 anos, defende que irá agregar mais valor ao produto.
"Acredito que seja um marco a assinatura desta ata da fundação. Hoje, somos 10 agroindústrias, que na grande maioria trabalham com produção própria de leite fazendo esse diferencial, e vamos tentar mostrar para todo o país, ou quem sabe para fora, os diferenciais do nosso queijo colonial produzido na serra gaúcha", afirmou o produtor da agroindústria de laticínios Granja Cichelero.
A iniciativa tem apoio do Sebrae RS. Gustavo Ângelo Rech, gerente regional do Sebrae Serra Gaúcha, destaca o trabalho de conexões e mobilizações com parceiros, poder público e entidades para trabalhar a estruturação da IG. O projeto realizou uma missão técnica à Itália para estudar o modelo de negócios de uma grande referência, visando buscar boas práticas para trazer ao Rio Grande do Sul.
"O que estamos vendo hoje com a criação dessa associação e com essa mobilização de todos esses elos, é um reflexo desse trabalho. A gente ainda tem muito pela frente, mas é um projeto que, com certeza, vai trazer muitos frutos para a Serra Gaúcha."
- Frutas exóticas atraem atenção de visitantes na Expointer 2026
- Expositores festejam conquistas no concurso leiteiro das raças Holandesa e Jersey na Expointer 2026
- História e legado do leite em espetáculo na Expointer 2026
Criação de associação avança na busca por Indicação Geográfica do queijo colonial da Serra Gaúcha