A Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, representa “colheita” para aqueles que trabalham com couro. Para Maicon Paim, de Taquara, a feira agropecuária e o restante do mês de setembro são períodos de “safra” em virtude do aumento da procura por peças artesanais. Com criatividade e dedicação, ele comercializa suas peças campeiras confeccionadas a partir de tiras cruas no Pavilhão do Artesanato do Rio Grande do Sul (Expoargs) desde 2018. De rédeas e “cabeçadas” até carteiras e porta-cuias.
Paim é um artesão especializado no trabalho com tiras de couro cru, um guasqueiro. “É uma profissão que vem de sangue, meu avô era guasqueiro. Mas quando comecei a pegar gosto ele estava com a visão comprometida, por incrível que pareça. Mas meu outro avô, este de criação, começou a me incentivar e fui aprendendo inclusive com vizinhos. Com 14 anos eu já tinha as minhas primeiras peças, hoje eu estou com 40 anos”, recordou Paim. “No dia 7 de janeiro de 2026 vai completar 19 anos que eu vivo disso”, complementou.
Para aqueles interessados em se tornar um guasqueiro, ele adianta que a primeira lição é ter capricho e vontade de trabalhar, além da criatividade. Trata-se de uma função árdua.
“É muito demorado até fazer as peças. Primeiro eu vou nos abatedouros, seleciono os couros, ‘desgracho’ as peças, limpo (os resíduos) de carne e sujeiras, lavo, ‘estaqueio’ para secar, amacio e somente depois corto as tiras para então começar a produzir (manualmente) as peças”, resumiu, sobre o trabalho artesanal. Conforme ele, esse processo pode levar em torno de duas semanas.
Para a Expointer, Paim trouxe 60 modelos de peças, elaboradas com couro bovino e caprino. “Nesses últimos meses, para me preparar para a feira, eram três horas de sono (por noite) e muito trabalho. Porque tenho que aproveitar o evento”, acrescentou, referindo-se às vendas. Conforme ele, no restante do ano atende muitas encomendas, mas, no geral, muitos guasqueiros aguardam com expectativa a Expointer para comercializar seus produtos.
Tuti Bilhalva também transforma couro de búfalo em peças resistentes para o campo e o esporte equestre com cavalo crioulo que preserva a tradição gaúcha. Apesar do trabalho artesanal, ele prefere não se autodenominar guasqueiro, pois os acabamentos finais das tiras que corta são finalizados por outro profissional em Caxias do Sul. Na Expointer, ele está presente com uma loja homônima no Boulevard do Cavalo Crioulo, com rédeas, cintas e “cabeçadas” para os exemplares da raça. As peças são procuradas por cavaleiros e laçadores. “São extremamente resistentes para atender as demandas de quem realmente precisa de um de um produto forte. Tem que ter um conhecimento técnico. O suor do cavalo (por exemplo) é extremamente desgastante para as peças de couro”, detalhou.
Conforme Bilhalva, o artesanato gaúcho é muito avançado, com muitas técnicas e ferramentas que favorecem a atividade dos guasqueiros. “A artesania, só cresce, graças a Deus, e o Rio Grande do Sul é uma referência na guasquearia latino-americana”, finalizou.