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Expointer 2025: Forrageiras em alta na recuperação do solo

Cultivares plantados no Parque de Exposições Assis Brasil, em áreas devastadas pela enchente de maio de 2024, demonstraram resiliência e são apontadas pela Embrapa como alternativas para recompor terrenos degradados

Cultivares de forrageiras anuais, perenes que servem para alimentação animal, produção de sementes e proteção dos solos | Sergio Bender, supervisor na Embrapa Clima Temperado
Cultivares de forrageiras anuais, perenes que servem para alimentação animal, produção de sementes e proteção dos solos | Sergio Bender, supervisor na Embrapa Clima Temperado Foto : Camila Cunha

A reconstrução da agropecuária gaúcha após a grande enchente de 2024 passa, necessariamente, pela recomposição dos terrenos no campo. Com cultivares adaptadas a diferentes condições, capazes de resistir tanto a enchentes quanto à estiagem, a Embrapa destacou na 48ª Expointer um conjunto de tecnologias forrageiras que podem garantir alimento para os rebanhos e, ao mesmo tempo, ajudar a recuperar os solos que ficaram degradados no Rio Grande do Sul. Entre as variedades em exposição estão espécies que possuem funções complementares, indo da alimentação animal de alta qualidade à proteção física e biológica do solo.

O próprio Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, é exemplo da resiliência dessas vegetações. Em maio do ano passado, foi um dos pontos devastados pelas cheias.
Segundo o supervisor de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Sérgio Bender, a demonstração instalada junto ao espaço da Emater/RS na Expointer é um retrato do potencial desses materiais.

“Aqui a gente conseguiu perceber na prática a importância das pastagens perenes, tropicais, para a resiliência das áreas de produção. O capim-elefante BRS Kurumi, por exemplo, ficou submerso durante todo o período da enchente. Mesmo assim, sobreviveu e rebrotou”, relatou.

A resistência não se limita apenas ao excesso de chuva. Por possuírem raízes profundas, conseguem suportar períodos de estiagem, explorando camadas do solo que permanecem úmidas. Essa característica, segundo Bender, é fundamental para o Estado, marcado pelas adversidades climáticas. “Essas forrageiras não são uma solução milagrosa, mas, quando usadas dentro de um bom planejamento, permitem ao produtor manter o solo coberto e o rebanho alimentado o ano inteiro”, explicou.

De acordo com o pesquisador, o ponto central está no conceito de planejamento forrageiro, que combina pastagens perenes tropicais como base de produção e cultivares de inverno — como aveias, azevéns, trigos e trevos.

“A pastagem perene vai oferecer alimento por oito meses, mas é fundamental complementar com outras opções, especialmente no inverno. A Emater tem mostrado muito bem esse potencial aqui na Expointer”, destacou.

A lógica é de sucessão, já que, à medida que uma cultura é retirada, outra já deve estar implantada. É o chamado “pasto sobre pasto”, que evita deixar áreas descobertas. “Nas regiões de risco, como margens de rios, a recomendação é apostar nas forrageiras perenes, que podem ser consorciadas com árvores, ajudando inclusive a recompor matas ciliares. Nas áreas de agricultura anual, o produtor deve adotar forrageiras em cima das culturas de inverno ou de verão que ele está tirando”, orientou.
Além de proteger contra erosões e perdas de solo, o sistema garante produtividade. As pastagens perenes podem produzir entre 20 e 35 toneladas de matéria seca por hectare ao ano.

“De forma bem simples, podemos dizer que dez quilos de matéria seca produzem um quilo de carne, ou um quilo de matéria seca resulta em um litro de leite. Ou seja, uma forrageira de 20 toneladas pode gerar até duas toneladas de carne ou 20 mil litros de leite por hectare”, exemplificou Bender.

A demonstração de forrageiras na Expointer faz parte do Plano Recupera Rural RS. A iniciativa, liderada pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura, reúne ações emergenciais e estruturantes para recompor paisagens e sistemas agroprodutivos após as enchentes que massacraram o Rio Grande do Sul no ano passado.
Entre as primeiras medidas estiveram a distribuição de sementes de forrageiras, hortaliças e mudas de batata-doce para agricultores afetados. Foram entregues, por exemplo, 120 quilos de sementes de Capim-sudão BRS Estribo, além de cultivares de cebola, arroz e batata-doce. Somaram-se a isso mais de duas mil análises de solo e atividades de capacitação que alcançaram cerca de 2,5 mil agricultores e técnicos.
O plano atua em três frentes: ações solidárias de curtíssimo prazo, medidas emergenciais de curto prazo — como o mapeamento dos danos e soluções de recuperação — e ações estruturantes de médio prazo, focadas em pesquisa e inovação para enfrentar eventos climáticos extremos.
O cenário de mudanças climáticas também alterou a lógica de uso das pastagens no Brasil. Forrageiras tropicais, antes restritas ao centro do país, agora aparecem como aliadas no Sul.

“Com o aquecimento global, essas espécies passam a ter um papel fundamental na reconstrução das áreas perdidas com as enchentes”, observou o pesquisador.
Outro ponto enfatizado é que a recuperação não pode ser pensada apenas como resposta emergencial, pois é preciso integrar estratégias de longo prazo. “Quando se implanta uma pastagem perene, estamos projetando de cinco a 20 anos de uso. Por isso, é essencial fazer uma boa correção de solo e implantação adequada. Assim, o produtor vai conseguir atravessar tanto a seca quanto as cheias”, finalizou Bender.

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