A Arena do Cavalo Crioulo na Expointer é o palco final da prova que define o grande campeão da raça símbolo do Rio Grande do Sul. Chega ao fim um ciclo de avaliações e preparação até que o animal esteja pronto para entrar em pista. Para Eduardo Neto de Azevedo, executivo de Provas da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), a feira pode ser comparada à “Copa do Mundo” da raça. “É o momento máximo para os associados, investidores e ginetes. É onde se apresenta o trabalho de todo um ciclo de cabanhas, treinadores e veterinários”, explica.
O Freio de Ouro, realizado na Expointer, surge em 1982, como celebração aos 50 anos da ABCCC. A competição avalia aspectos de morfologia e a funcionalidade do animal, como explica Azevedo. “A gente tem dentro da Expointer a parte morfológica, que é só a beleza dos animais, e tem o Freio de Ouro. Então, buscamos hoje um equilíbrio, assim, entre um cavalo morfologicamente bem equilibrado e com uma função. Então, as três coisas que a gente busca num cavalo hoje são morfologia, temperamento e função.”
Para a organização das provas de Morfologia, que acontecem nesta Expointer nos dias 28 e 30 de agosto, e Freio de Ouro, do dia 1 ao dia 5 de setembro, Azevedo conta que há uma imensa mobilização, buscando garantir conforto aos animais, profissionais e público. “Cuidamos das estruturas para que os animais consigam desempenhar da melhor maneira possível, sempre cuidando do bem-estar animal. A gente também tem uma preocupação social muito grande. O cavalo crioulo hoje gera 160 mil empregos indiretos e 30 mil empregos diretos”, diz.
Um campeão é resultado da combinação de diferentes fatores. A genética, o ambiente e o treinamento desempenham papel fundamental na formação de um possível vencedor. “Ele tem que ser bom, ele tem que estar muito bem treinado, precisa um conjunto bom, entre cavalo e ginete”, diz o dirigente, que cresceu em meio a animais da raça e já conquistou seis títulos na competição, sendo um Freio de Ouro, duas pratas e três bronzes.
O processo de melhoramento genético demanda tempo e começa pela escolha das matrizes e dos garanhões. Através dos investimentos, é possível fazer cruzamentos buscando a evolução, mas bons genitores não são a sentença de um campeão. Na Estância Liberdade, Evaldo da Rosa trabalha com a raça há 25 anos e diz que o principal desafio como criador é produzir um animal que tenha condições de ganhar.
“O cavalo tem que ser bom, não adianta eu pegar um cavalo ruim e querer fazer bom que ele não vai ser. Na morfologia, o bicho tem que ser bonito, tu vai dar uma lapidada. Agora um bicho feio nunca vai ganhar. O preparo é parte da coisa, mas a essência é aquilo que o cavalo é. Se ele é bom ou se ele é bonito. Por genética, porque não adianta eu colocar um cavalo para o melhor treinador e ser um cavalo que a genética dele não é uma genética boa, não é para aquilo, ele não vai ganhar nunca.”
RE Uma Garoa
Enquadramento e desempenho
A morfologia, que avalia o enquadramento do animal nos padrões da raça, levando em consideração sua beleza e aspectos, como o próprio nome indica, morfológicos, demanda uma preparação de cerca de um ano. Enquanto as avaliações funcionais, com foco no desempenho do animal em atividades derivadas das lidas no campo, a preparação é mais demorada, com duração de pelo menos dois anos, como explica o pecuarista. “Um cavalo para disputar o freio, o tempo normal (de preparação) é em torno de dois anos, a morfologia é ali perto de um ano. De cuidado, preparo, cocheira, enfim. A morfologia sendo o campeonato da beleza e o Freio de Ouro é lógico, aquele que faz as provas. O investimento vai ser mais ou menos parecido, a não ser que apareça alguma enfermidade, coisa assim. Nós vamos colocar em torno de 3.000 por mês, estando no centro de treinamento”, diz.
Para esta edição da Expointer, a Estância Liberdade, em Rolante, levou 15 animais para a feira, com altas expectativas. Rosa define o momento como “uma coroação”. As previsões do dirigente também são “as melhores possíveis”, com número recorde de animais. De acordo com a ABCCC, a edição de 2026 deve receber mais de 700 animais, incluindo os 114 inscritos para o Freio de Ouro, 257 para a Morfologia, 51 para a Supercopa Jovem e 248 para os leilões.
Ganhar é a glória
“Conseguir estar na Expointer já é uma vitória, e ganhar é a glória. É o que todo mundo sonha. Isso valoriza todo o teu plantel, a tua criação e o nome da cabanha”, afirma o criador, que em seu plantel de 180 éguas na cria, define os nomes dos animais a partir de uma letra do alfabeto, escolhida para representar os nascidos naquele ano.
Dos 25 leilões programados para a edição deste ano, oito contam com a comercialização de cavalos da raça, que em 2025 somou R$ 14,51 milhões em vendas, segundo o Sindicato dos Leiloeiros Oficiais do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiler). Na pista da Arena do Cavalo Crioulo, os grandes momentos das competições acontecem em diferentes datas. A final da Morfologia será neste domingo, às 16h. Já a decisão do Freio de Ouro está marcada para o dia 5 de setembro, às 14h. No mesmo período, é realizada a Supercopa Jovem, que tem sua final na manhã do dia 5, a partir das 8h30min.
Os dois campeões do Freio de Ouro 2025 retornam para a principal disputa da raça: Ópio da Baraúna, da Cabanha Baraúna, de Arroio Grande, criado por Vanderlei Guerra; e Índia Envenenada Del Chamame, da Cabanha El Chamame, de Florida (UY), criada por Martin Gurmendez Marquez.
Na Morfologia, Belle Reserva, da Fazenda Paraíso, de Balsa Nova (PR), criada por Elizabeth Lemanski, também estará de volta em busca de mais um campeonato.
*sob supervisão de Karina Reif.
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