As atividades relacionadas aos cavalos crioulos no Brasil movimentam R$ 5,36 bilhões, sem contabilizar sua comercialização. Cerca de 80% do valor gira somente no Rio Grande do Sul, somando cerca de R$ 4,3 bilhões. A Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Crioulos (ABCCC) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) fizeram um estudo do mercado, que envolve serviços veterinários, medicamentos, rações, turismo e provas esportivas, por exemplo. Tudo isso emprega 31,3 mil pessoas diretamente e outras 130 mil de forma indireta no país.
O gerente de expansão da entidade, Gérson de Medeiros, explicou, durante apresentação dos números nesta quarta-feira, que a pesquisa foi realizada a partir de entrevistas com representantes de propriedades a partir do início de 2025 e que o resultado se refere à média desses estabelecimentos. Segundo ele, o dado encontrado sobre a geração de renda no Brasil é quatro vezes maior do que há 12 anos.
O Complexo do Agronegócio Cavalo ainda abrange áreas do comércio de indumentárias e de serviços, como selarias e ferrageamento. Levando em conta um rebanho de 508.080 animais, pode-se afirmar que cada Cavalo Crioulo é responsável pela movimentação de R$ 10.549,93 ao ano no Brasil. “Esses dados nos trazem uma radiografia setorial essencial para fundamentar nossos planos de expansão. O cavalo é mais do que uma paixão do Sul do Brasil ou uma ferramenta de trabalho no campo. Hoje, é a base de empresas lucrativas, ferramenta para tratamento de saúde mental, sem falar no mundo do esporte”, destacou o presidente da ABCCC, André Rosa.
O Esporte é o foco da maior parte dos criatórios de Cavalos Crioulos em operação no Brasil (75%), segundo o estudo. As provas de maior impacto são o Laço Comprido e Doma de Ouro, apesar de o Freio de Ouro e a Morfologia serem as estrelas da programação da raça. A segunda finalidade para uso da raça está no trabalho de campo (22,56%).
Segundo o professor e pesquisador da Esalq Roberto Arruda de Souza Lima, a equideocultura não é uma cadeia, mas um Complexo (composição de diversas cadeias). Por isso e diferentemente de outros segmentos, dados e estatísticas da equideocultura são historicamente raros e incompletos. Isso ocorre, indica ele, porque também há uma tradição em não considerar os equídeos como animais de produção.
Propriedades
Os estabelecimentos onde os cavalos da raça são criados têm, em média, 440 hectares, dos quais 92 hectares são destinados para uso da tropa. A principal ocupação dos proprietários está relacionada à agricultura (64,95% dos criadores) e à pecuária (22,45%). Segundo os dados, 412 mil animais estão no Rio Grande do Sul. Santa Catarina ocupa a segunda colocação com 33,7 mil animais e o Paraná a terceira com 31,8 mil animais. “O Rio Grande do Sul segue como berço da raça e como uma região com expressão de criatórios e qualidade genética. A força do cavalo Crioulo ecoa por todos os 497 municípios gaúchos, garantindo pulverização de renda e emprego. Os dados também mostram um grande potencial de expansão de uso desse animal no resto do Brasil. Não há limites para as manadas de Crioulos no Brasil e no mundo”, frisou o presidente da ABCCC.