O movimento de trabalhadores, carros e caminhões era intenso ontem no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, para que nada esteja incompleto ou fora do lugar no amplo espaço de 141 hectares que sedia a partir de amanhã, dia 30 de agosto, a 48ª edição da Expointer, a maior feira agrícola a céu aberto da América Latina. Os preparativos derradeiros ocorrem hoje, mas ontem os trabalhos estavam bastante adiantados, com animais tranquilamente alojados nas baias – sob o olhar atento dos peões cuidadores, muitos assando carne.
No setor de máquinas e equipamentos agrícolas, os estandes das indústrias já alinhavam seus lançamentos em tratores, pulverizadores e colheitadeiras. A expectativa é de que a feira se desenrole a maior parte do dias com tempo bom, o que permite projetar um número de até 600 mil visitantes em nove dias.
“Tem fervor, eletricidade, muita intensidade nos dias que antecedem a feira”, descreveu com entusiasmo a subsecretária do Parque, Elisabeth Cirne-Lima. Ela lembrou que neste ano foi solicitado aos expositores a antecipação da montagem dos estandes, para que apenas trabalhos internos fossem realizados no último dia antes do início da exposição.
Elisabeth recorda que em 2024, depois de o parque ter ficado debaixo da água por diversos dias após a enchente de maio que atingiu praticamente todo o Rio Grande do Sul, a situação foi crítica, inclusive com descarte de sofás, mesas, portas às vésperas da feira. “A montagem está muito mais organizada. Tinha obras que não se conseguiu fazer em 2024”, relatou.
A gestora listou uma série de obras que vão tornar o parque mais confortável neste ano, como o asfaltamento de ruas importante que antes tinham calçamentos danificados pela água, assim como a cobertura de três ruas da área de lazer.
Entre as centenas de trabalhadores e trabalhadoras que ontem aprimoravam suas demandas para deixar um ambiente perfeito estava o veterinário Victor Borges, preparador de gado leiteiro, com sete anos de dedicação a animais da Expointer e trabalhos ainda em Minas Gerais, além de Colômbia, Bolívia e Paraguai. Borges e mais dois colegas se esmeravam em aparar os pelos de uma vaca holandesa para a disputa do concurso leiteiro e da exposição morfológica da associação estadual e também nacional da raça.
“Preparar a vaca para que o jurado consiga ver as qualidades dela”, resumiu o preparador ao explicar o objetivo do embelezamento do animal.
Além da retirada dos pelos, para que as formas da fêmea ficassem mais nítidas, o animal foi submetido até mesmo a uma maquiagem para deixar o couro mais brilhante e para que o “preto ficasse mais preto” na vaca bicolor.
O grau de detalhismo do trabalho vai até o realce dos úberes, para deixar simétrico o quadril da vaca de forma que os julgadores da prova morfológica possam observar todos os detalhes. De acordo com Victor Borges, a preparação estética da vaca é mais importante do que parece, podendo do corresponder a 50% da pontuação dos jurados, enquanto que os demais 50% são representados por suas qualidades resultantes do manejo na propriedade.