Expointer

Prefeitos e entidades entregam manifesto de defesa do setor petroquímico a senador e deputados federais na Expointer 2025

Manifesto é encabeçado pela prefeitura de Triunfo e pede por maior competitividade para o setor no RS através da aprovação do Presiq

Manifesto em defesa do setor petroquímico foi entregue para políticos gaúchos
Manifesto em defesa do setor petroquímico foi entregue para políticos gaúchos Foto : Pedro Piegas

Os prefeitos da região Metropolitana e representantes de entidades da cadeia da química gaúcha entregaram aos deputados federais Afonso Motta e Pedro Westphalen e ao senador Luis Carlos Heinze um manifesto em defesa do setor petroquímico. O ato ocorreu nesta sexta-feira, no estande da Associação dos Municípios da Região Metropolitana da Grande Porto Alegre (Granpal), na Expointer 2025.

Lançado em agosto e encabeçado pela prefeitura de Triunfo, o manifesto pede pela aprovação de medidas junto à União visando à recuperação da competitividade do segmento, que enfrenta o maior ciclo de baixa de sua história. Os prefeitos reforçaram a necessidade de agilidade nas medidas para manutenção de empregos e para estancar a queda na arrecadação de tributos, que se intensificou nos últimos anos.

Fazem parte da articulação ainda o Comitê de Fomento Industrial do Polo (Cofip) e a Associação Brasileira das Indústrias Químicas (Abiquim). O prefeito de Triunfo, Marcelo Essvein, disse que o impacto na perda de arrecadação é enorme, uma vez que cerca de 90% da receita do município provém do Polo Petroquímico. “Precisamos que o governo federal se sensibilize e tome decisões o mais rápido possível”, cobrou.

Aproveitando o contexto da Expointer, o diretor-administrativo do Cofip, Sidnei Anjos, lembrou que o agronegócio e a cadeia petroquímica têm uma estreita relação. “Se pensarmos o agro sem o plástico, voltaríamos décadas para trás. E assim como o plástico beneficia o agro, é fundamental para todas as outras atividades econômicas. Por isso, não podemos perder a cadeia petroquímica, que é básica e que tanto lutamos para trazer ao Rio Grande do Sul há 40 anos”, completou.

O gerente de Relações Institucionais na Abiquim, Marcelo Pimentel, classificou o atual momento da cadeia da química como “dramático”. Segundo ele, no início dos anos 2000, a importação de resinas termoplásticas e outros produtos petroquímicos no país representavam 20%, número que supera os 50% atualmente.

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Projeto na Câmara dos Deputados

O presidente da Frente Parlamentar da Química, deputado federal gaúcho Afonso Motta, salientou que a cadeia da química clama por uma política pública de competitividade. Uma das alternativas mais visadas se refere ao Projeto de Lei nº 892, de 2025, do qual Motta é autor e que prevê a criação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq).

“Este projeto poderá garantir um nível de competitividade adequado. Hoje o setor emprega cerca de 2 milhões de pessoas no país e com o Presiq poderá ser fomentada a criação de mais 1,7 milhão de empregos diretos e indiretos”, exemplificou o parlamentar. Desde julho o PL encontra-se em regime de urgência de votação na Câmara dos Deputados.

Para o secretário do Desenvolvimento Econômico do RS, Ernani Polo, o movimento dos prefeitos e entidades é justo no sentido de buscar condições de igualdade para a petroquímica nacional. “Não podemos deixar esse setor se desestruturar, porque depois fica muito difícil a reativação. Por isso, estamos envolvidos e aguardando que essa pauta avance na esfera federal, porque dará proteção não só ao Rio Grande do Sul, mas à indústria brasileira”, acrescentou.

No RS, o manifesto conta com a assinatura dos municípios de Triunfo, Montenegro, Charqueadas, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, São Jerônimo, Santo Antônio da Patrulha e Taquari. Além da defesa do Presiq, o movimento busca a articulação federal em pelo menos outras duas frentes: a adoção de medidas antidumping para as resinas Polietileno e Polipropileno importadas a preços mais baixos do que os praticados em seus países de origem; e a manutenção da tarifa de 20% na importação de resinas termoplásticas e outros produtos petroquímicos para além de 2025.

O Presiq

Considerado essencial para a sobrevivência da cadeia petroquímica nacional, o Presiq prevê a concessão de créditos financeiros de até R$ 5 bilhões por ano, a partir de 2027, por meio da desoneração das alíquotas de PIS/Cofins sobre as matérias-primas e insumos utilizados na produção de produtos químicos.

Com vigência prevista até 2029, a iniciativa é estruturada em duas modalidades: aquisição de matérias primas na proporção de até 5% do valor de aquisição de produtos e limitado a R$ 4 bilhões por ano; e investimentos, contemplando a ampliação da capacidade instalada de unidades produtivas ou projetos que atendam a outras diretrizes do programa, com créditos de até 3% do valor do investimento com crédito limitado a R$ 1 bilhão por ano.

Pelos termos do projeto, os agentes devem se comprometer, ainda, a destinar ao menos 10% do benefício auferido ou crédito financeiro em programas de pesquisa e desenvolvimento.