Saúde

Anvisa mantém suspensão de fabricação e venda de produtos contaminados da Ypê

Recurso da empresa foi julgado nesta sexta-feira

Anvisa mantém suspensão de fabricação e venda de produtos contaminados da Ypê
Anvisa mantém suspensão de fabricação e venda de produtos contaminados da Ypê Foto : Química Amparo / Divulgação / CP

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve a suspensão à fabricação, comercialização e distribuição de produtos da Química Amparo, dona da marca Ypê.

Contudo, foi retirado o efeito suspensivo especificamente sobre a medida de recolhimento imediato dos lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com final 1.

De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, as medidas adotadas pela empresa "foram insuficientes", e mencionou, durante reunião realizada nesta sexta-feira, 15, que "há um histórico recorrente de contaminação microbiológica".

O colegiado da Anvisa defendeu, ainda, que os riscos sanitários identificados pela fiscalização ainda não foram superados.

A bactéria

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada em produtos da indústria Ypê após a detecção de possíveis falhas no controle de produção, é um microrganismo comum no ambiente e conhecido por causar infecções principalmente em pessoas com a imunidade comprometida.

Presente naturalmente na água, no solo, no ar e em ambientes úmidos, a Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria “oportunista”. Isso significa que, na maioria das vezes, não provoca doenças em pessoas saudáveis, mas pode causar infecções graves em indivíduos com o sistema imunológico enfraquecido.

Segundo especialistas, a bactéria também pode ser encontrada em esponjas de cozinha, panos úmidos, lavatórios, piscinas mal higienizadas e até na pele de pessoas saudáveis, especialmente em áreas úmidas do corpo.

Como a bactéria age

A Pseudomonas aeruginosa chama atenção pela alta resistência a antibióticos, característica que dificulta o tratamento de infecções quando elas acontecem.

A bactéria é conhecida por causar infecções hospitalares, sobretudo em pacientes internados em UTIs. Isso ocorre porque consegue entrar no organismo por meio de cateteres, respiradores, sondas e outros equipamentos utilizados em pacientes internados.

As infecções podem atingir diferentes partes do corpo, como pulmões, trato urinário, pele e corrente sanguínea. Entre os quadros mais comuns estão:

- pneumonia;

- infecção urinária;

- infecções respiratórias;

- infecções em feridas e queimaduras;

- em situações graves, a bactéria pode causar infecções generalizadas;

Quem corre mais risco

O principal risco está relacionado às pessoas imunocomprometidas, isto é, pacientes que têm o sistema imunológico enfraquecido por doenças ou tratamentos médicos.

Entram nesse grupo pessoas que fazem quimioterapia, transplantados, pacientes internados em UTI, idosos fragilizados e indivíduos com doenças crônicas graves. Pessoas com doenças pulmonares crônicas, como enfisema e fibrose cística, também estão entre os grupos mais vulneráveis.

Nesses casos, a bactéria encontra mais facilidade para se multiplicar e provocar infecções difíceis de controlar.