Saúde

Associações são homenageadas pela Assembleia Legislativa no Dia Estadual em Memória das Vítimas da Covid-19

Avico Brasil e Associação Vida e Justiça receberam Medalha da 56ª Legislatura, em ato que também contou com painel onde foram discutidas estratégias para combate à doença no RS

Em alusão ao Dia Estadual em Homenagem às Vítimas da Covid-19, a Medalha da Legislatura foi entregue para a Associação das Vítimas e Familiares de Vítimas de Covid-19 (Avico Brasil) e para a Associação Vida e Justiça | Paola Falceta, vice-presidenta de Saúde da Avico, e Rosângela Dornelles, coordenadora nacional da Associação Vida e Justiça
Em alusão ao Dia Estadual em Homenagem às Vítimas da Covid-19, a Medalha da Legislatura foi entregue para a Associação das Vítimas e Familiares de Vítimas de Covid-19 (Avico Brasil) e para a Associação Vida e Justiça | Paola Falceta, vice-presidenta de Saúde da Avico, e Rosângela Dornelles, coordenadora nacional da Associação Vida e Justiça Foto : Camila Cunha

As Associações das Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico Brasil) e Vida e Justiça em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19 receberam, nesta segunda-feira, a Medalha da 56ª Legislatura da Assembleia Legislativa, como forma de relembrar o Dia Estadual em Memória das Vítimas da Covid-19, também em 24 de março. A iniciativa foi do deputado Pepe Vargas, presidente da Assembleia. A cerimônia ocorreu no Salão Júlio de Castilhos, na sede do Legislativo, em Porto Alegre. Na sequência, especialistas debateram as estratégias de redução dos casos no Painel 5 anos da Covid-19 - Pelo Direito à Memória.

No Rio Grande do Sul, a doença teve mais de 3,1 milhões de casos confirmados e 43.215 mortes até esta segunda, de acordo com o Painel Coronavírus RS, da Secretaria Estadual da Saúde (SES). O número de óbitos é correspondente à população inteira de Panambi (43.515, conforme o IBGE). A vacina, segura e com eficácia comprovada pela ciência, está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas acima dos seis meses de idade.

No RS, conforme o monitoramento da SES, 31,8 milhões de doses foram distribuídas aos municípios, mas somente 58,7% da população vacinável acima de três anos de idade tem o esquema vacinal completo. “Acredito que receber esta homenagem é uma forma de reconhecimento da sociedade pela luta que temos em relação a todos os que morreram nesta pandemia. Acho que é uma maneira de ressignificar o luto e tentar transformar isto em uma luta coletiva”, comentou a membro da diretoria da Avico Brasil, Carolina Tavares, que contou ter perdido o pai para a doença no final de 2020.

Ainda de acordo com ela, a associação foi criada em abril de 2021, por meio de mobilização em redes sociais a partir das experiências de pessoas que haviam perdido pessoas próximas e sobreviventes. Questionada sobre como a Avico Brasil acompanhou a reação dos governos sobre as ações durante a pandemia, ela disse que foi com “indignação”. “Foi muito triste ver que passamos por esta situação de negacionismo, mas acreditamos que estamos em um outro patamar agora, embora isto continue não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Vivemos um tempo muito traumático, difícil e de isolamento, quem pôde se isolar”, acrescentou ela.

A coordenadora nacional do Vida e Justiça, Rosângela Dornelles, salientou que “todos nós somos vítimas”. “Todos nós perdemos pessoas, e este ato é para lembrar e nos fortalecer, já que a Covid-19 não acabou ainda. Nestes cinco anos, temos muita luta buscando a reparação e a responsabilização daqueles que teriam de ter feito o suficiente para evitar as mortes. Temos um número de órfãos gigante e pessoas com sequelas da Covid longa, a estrutura social se degradou bastante. O próprio sistema de saúde precisou resistir muito para não colapsar, apesar de o SUS ser o melhor sistema do mundo, na minha opinião”, pontuou ela.

Também representando a associação e a reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que coordenou a Epicovid-19, considerada a maior pesquisa sobre a doença no Brasil, Rosane Brandão reforçou a importância de fortalecer o SUS. “Temos que continuar fazendo nosso trabalho, porque outras pandemias virão, porém não conseguimos dizer de que tamanho, quando e como. O mundo está mudando, e estas associações trazem a esperança de que estamos vigilantes”, comentou. Para Vargas, a data busca relembrar as vítimas para construir uma sociedade “mais justa e inclusiva”. “Também não devemos esquecer que a ciência deve guiar os passos que devem ser tomados quando há situações deste tipo. Boa parte dos problemas que enfrentamos foram devido ao negacionismo em relação a esta vacina e a outras desenvolvidas e importantes para a saúde pública”, afirmou.

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