Saúde

Audiência pública debate precarização em postos de saúde com nova administração

Sindicatos questionam regularidade de licitação que definiu administradora de unidades

Audiência foi realizada pela Comissão de Serviços Públicos da ALRS
Audiência foi realizada pela Comissão de Serviços Públicos da ALRS Foto : Fabiano do Amaral

Representantes de sindicatos dos profissionais da saúde participaram de audiência mista, na noite desta terça-feira na Assembleia Legislativa do Estado (AL-RS), para debater a terceirização e as condições dos serviços nos postos de saúde de Porto Alegre. A reunião acontece na mesma semana em que o Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG) assume a administração de 67 unidades da Capital. A sessão foi realizada pela Comissão de Serviços Públicos da ALRS e presidida pelo deputado estadual Leonel Radde com a participação dos vereadores Alexandre Bublitz, Aldacir Oliboni e Jonas Reis.

Entre os principais pontos levantados pelos sindicatos está a demissão em massa de profissionais que já atuavam nas unidades, a contratação de profissionais sem experiência em atenção básica à saúde e a redução dos salários, com cortes que variam de 25% a 60% a depender da categoria. Os profissionais da saúde também relatam o atraso no recebimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), intimidações e o não pagamento de vale-transporte, o que desencadeou na falta de profissionais.

Também foi ouvido o defensor público, Guilherme Henrique Mariani de Souza, que destacou ainda, possíveis irregularidades na concessão administrativa das unidades. “A redação da Constituição (Federal) é muito clara quando diz que a assistência por meio de entidades não-públicas, deve ter caráter complementar ao serviço prestado pelo ente público. O que é complementar virou regra, então, evidentemente há uma inversão de valores”, afirma o defensor.

A categoria mais afetada pelos cortes na folha de pagamento são os técnicos de enfermagem que, a partir deste mês, deverão receber menos da metade do que o pagamento referente à junho. Atualmente, cerca de 95% de todas as unidades de Atenção Primária em Saúde de Porto Alegre, estão sob administração privada. Anteriormente, algumas unidades eram geridas pelos hospitais Santa Casa de Misericórdia e Divina Providência, definidas em uma licitação que exigia a manutenção dos salários praticados até então. No novo edital, não foi fixada a exigência mínima para pagamento e nem a manutenção do corpo de funcionários existente.

Os profissionais também relatam a insegurança ao trabalhar em unidades com menos profissionais e alta demanda, já que a precariedade do serviço tem revoltado a população. Nas manifestações finais, os moradores do município que acompanharam a sessão, solicitaram a realização de audiências nas comunidades afetadas.

A audiência não contou com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Saúde, mas esta enviou posicionamento sobre os principais pontos que envolvem a gestão de postos de saúde e falta de profissionais. O órgão afirmou que acompanha de forma permanente a execução do contrato por meio de equipes técnicas e que enviou profissionais para monitorar o funcionamento dos serviços em unidades da Região Leste.

A Comissão de Serviços Públicos deverá, a partir da reunião, se reunir com o Ministério Público Estadual, Ministério Público de Contas, Defensoria Pública do Estado, Tribunal de Contas e a Prefeitura de Porto Alegre para apurar “indícios de corrupção” envolvendo a crise da saúde, assegurou o presidente da sessão, Leonel Radde, citando o escândalo deflagrado na Secretaria Municipal de Educação como exemplo.

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