Cresceu o número de pessoas que contraíram meningite no Rio Grande do Sul em 2025. Segundo dados parciais da Secretaria Estadual de Saúde, até esta quarta-feira foram registrados 110 casos de meningite por pneumococo, 64 casos de doença meningocócica (meningococo) e nove de Haemophilus influenzae. Até o momento foram registrados 34 óbitos, sendo 10 por meningococo e 23 por pneumococo e um por Haemophilus influenzae. Os surtos da doença ocorreram em Pelotas e Bento Gonçalves.
Em todo o ano de 2024, foram 101 casos de meningite por pneumococo e 53 casos de doença meningocócica, além de 13 por Haemophilus influenzae. No ano passado, foram 37 mortes, sendo 28 por pneumococo, sete por doença menigocócica e duas por Haemophilus influenzae.
A técnica da Vigilância das Meningites do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Carolina Nunes Port, lembra que a maioria dos casos de meningite são causados por vírus, que não costuma causar óbitos ou sequelas. “Há também a bacteriana que é mais grave. Monitoramos de forma mais intensiva a meningococo, a pneumococo e a Haemophilus influenzae”, confirma.
Ela destaca que a vacinação para a bacteriana foi introduzida no calendário nacional em 2010 e, desde então, houve redução no número de casos. “Com a pandemia, os números baixaram bastante em relação à bacteriana, pois a transmissão também ocorre pelas vias respiratórias, com o contato intenso. Com as medidas de distanciamento e uso de máscaras, por exemplo, isto foi possível. Desde 2024, estamos observando um aumento de casos e aparentemente voltamos aos números de antes da pandemia de Covid”, lamenta.
Para ela, o principal problema é a baixa adesão à principal estratégia de prevenção, que é a vacinação. “Elas acometem todas as faixa etárias, mas o maior risco é nas crianças menores de 5 anos, especialmente os bebês com menos de um ano”, observa.
Na última semana, uma criança de quatro anos morreu por meningite bacteriana em Santa Maria. Carolina explica que há vacinas específicas para os menores. No caso do meningococo, a prevenção se dá também na adolescência, entre 11 e 14 anos. “Faz faz parte do calendário nacional de vacinação, aos três , cinco e 12 meses”, completa.
Como a meningite é uma doença endêmica, a circulação das bactérias ocorre entre a população. “Para baixar a circulação é por meio da vacinação e, de um modo geral, não temos atingido as metas de cobertura vacinal. Quando isto ocorre, temos a população suscetível. É muito importante que a população se vacine”, completa.
Segundo o a plataforma de dados LocalizaSUS, até agosto, a cobertura vacinal seguia abaixo da meta de 95%. No caso da pneumo 10, usada para imunizar crianças, o índice era de 87,89%. Já na Meningo C, usada nos pequenos de até um ano, é de 83,84%. Na pentavalente, utilizada contra Haemophilus influenzae, o índice é de 82,43%.