Servidores ligados ao Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado do Rio Grande do Sul (Sindicaers) realizaram um ato pacífico na manhã desta sexta-feira, em frente à sede do Samu, na avenida Ipiranga, em Porto Alegre, em protesto pela demissão de dois profissionais, também dirigentes sindicais. Eles buscam a reintegração dos demitidos e esclarecimentos por parte da prefeitura, contratante da empresa terceirizada que, por sua vez, é responsável pelo chamamento dos motoristas.
Procurada, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) se manifestou em nota, dizendo que “mantém-se aberta ao diálogo e à escuta das reivindicações”. Membros do Sindisaúde-RS e da Associação Gaúcha dos Trabalhadores em Saúde (AGTS) estiveram presentes, entregando panfletos e apresentando faixas com a reivindicações. Segundo o presidente do Sindicaers, João Carlos Brum, tudo começou com a recente veiculação de uma reportagem retratando a crise do Samu em Porto Alegre, e que teria apontado os condutores com grau de responsabilidade na demora dos atendimentos a pessoas acidentadas.
Os agora ex-funcionários, que são dirigentes sindicais, procuraram a diretoria da empresa para esclarecer a situação devido ao vínculo com o sindicato, e em resposta teriam sido dispensados na hora. “Acredito que isso machuca muito a moral e a dignidade dos condutores de ambulância. A prefeitura precisa olhar para este lado, todo serviço de urgência e emergência é bem complicado colocar apenas terceirizado, vai ter falhas. E lá na ponta vai morrer gente”, comentou o presidente.
Atualmente, a lei federal 15.250/2025 enquadra os condutores de ambulância como profissionais da área da saúde. Um dos dispensados foi Júlio Cesar Silva, que esteve na manifestação desta sexta. Segundo ele, os profissionais contratados via terceirização recebem salários que giram em torno de R$ 2 mil mensais, enquanto servidores concursados receberiam três vezes mais, e falta de vale-alimentação adequado, bem como demissões e recontratações em série devido à troca frequente de empresas licitadas.
“Temos estabilidade por causa do sindicato, mas fomos tratados com hostilidade. Nossa demissão acredito que tenha sido por represália, em resposta a valorização que estávamos procurando”. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) pediu também explicações à prefeitura a respeito das demissões. O processo está em andamento.
Leia nota completa da Secretaria Municipal da Saúde
A gestão mantém-se aberta ao diálogo e à escuta das reivindicações. A manifestação realizada na manhã desta sexta-feira não interfere na prestação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Porto Alegre, que segue funcionando normalmente para atender às urgências e emergências da população.
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