Saúde

Conheça a Epigenética e como ela pode “reprogramar” seus genes para a promoção de mais saúde e longevidade

Campo científico relativamente recente e ainda pouco conhecido do público geral, tem revelado como os nossos comportamentos e ambiente podem influenciar a forma como os genes se expressam

A partir de marcadores presentes no DNA, é possível avaliar condições do paciente e propor mudanças de hábitos para mais qualidade de vida
A partir de marcadores presentes no DNA, é possível avaliar condições do paciente e propor mudanças de hábitos para mais qualidade de vida Foto : Mauro Schaefer

Hábitos cotidianos, como a alimentação ou a qualidade do sono, podem “ligar” ou “desligar” genes, influenciando a forma como se manifestam no nosso organismo. Como isso é possível? A Epigenética, campo científico relativamente recente e ainda pouco conhecido do público geral, tem revelado como os nossos comportamentos e ambiente impactam o metabolismo, interferindo no envelhecimento e na qualidade de vida.

De acordo com o médico Ricardo Zimerman, diretor da sociedade brasileira da medicina da longevidade, a Epigenética é a expressão variável dos nossos genes para mais ou para menos que ocorre durante diferentes momentos da vida em diferentes tipos de células, mas que também está sujeita a fatores externos, por exemplo, o estilo de vida.

“Se a genética é como um livro de receitas e a gente não tem como produzir nenhum prato que não esteja nesse livro, a Epigenética é a receita exata que a gente escolhe cozinhar”, compara.

“Portanto é a nossa oportunidade de intervir no nosso corpo. Podemos determinar a expressão dos genes que mais nos interessam e suprimir a expressão daqueles que não nos interessam”, completa.

Em outras palavras, a Epigenética atua como um interruptor no corpo humano. Não muda o código genético, mas tem capacidade de regular a atividade biológica. Tal descoberta neste campo ajuda a entender como surgem e quais são as melhores formas de prevenir algumas doenças crônicas, promovendo bem-estar emocional e a ajudar que o corpo envelheça de forma mais lenta e saudável.

Mas de que forma ocorre esta “reprogramação” genética? Zimerman explica que esta é uma atividade que ocorre naturalmente, mas que pode ser estimulada.

“Ao longo da nossa vida existe uma programação para “ligar” certos genes e “desligar” outros. Por meio de uma análise de marcadores do nosso DNA é possível ver quais genes estão ligados e quais estão desligados em determinado momento biológico do paciente. Assim é possível usar a Epigenética como intervenção terapêutica para fazer o corpo expressar o melhor e reprimir o pior”, explica o médico.

Clínicas especializadas no tema estão se popularizando no Brasil. O tratamento consiste em identificar a atual idade biológica do paciente, que segundo Zimerman é diferente da cronológica, para então propor intervenções no estilo de vida.

“A partir da medição da idade epigenética (biológica), sabemos quais mudanças no estilo de vida, quais suplementos, quais nutracêuticos (substâncias ou produtos com benefícios para a saúde, provenientes de fontes alimentares, que podem ser usados para complementar a dieta ou para tratar condições específicas). Então a gente constrói esquemas terapêuticos e dietas mais eficazes à promoção da saúde. Após, repetimos a avaliação epigenética para comparamos com a anterior, aquela pré-tratamento, avaliando se as intervenções apresentaram eficácia”, detalha o especialista.

A ideia de que nascemos com um destino genético imutável está cada vez mais a ser substituída pela visão da Epigenética, defende Zimerman.

“Praticamente tudo que a gente faz do momento em que a gente acorda ao momento em que a gente dorme pode modular nossa epigenética. O que a gente come, como a gente encara o dia a dia, o nosso grau de estresse, se a gente se exercita, se a gente é exposto a toxinas como álcool e drogas e a qualidade do nosso sono influenciam. Ou seja, quanto mais saudável for nosso estilo de vida, mais a gente vai estimular a expressão de genes que nos interessa”.

Conheça estratégias acessíveis para apoiar os genes e proporcionar uma vida com mais bem-estar:

Alimente-se melhor

  • A alimentação não é apenas uma questão de calorias ou nutrientes, mas também é informação para os nossos genes. Alimentos como brócolos, couve, frutas vermelhas, chá verde ou açafrão contêm compostos que interagem diretamente com os genes e que podem ativar mecanismos de defesa, proteger o DNA e modular a inflamação, um dos principais inimigos da longevidade.
  • Evite açúcares refinados, gorduras processadas e aditivos artificiais.

Estimular suas células

  • O exercício físico atua como um modulador epigenético. Movimentar o corpo, seja com caminhadas, dança ou treino de força, ativa genes ligados à regeneração celular, ao metabolismo e à regulação do humor.
  • A prática de exercícios contribui para a integridade dos cromossomos.

Durma bem

  • Dormir bem é uma das formas mais eficazes de proteger a saúde genética. Durante o sono profundo, o organismo realiza processos essenciais de reparação celular e regulação hormonal. Dormir menos de seis horas por noite de forma crônica pode alterar a expressão de centenas de genes, afetando o sistema imunitário, o humor e a cognição.

Controle o estresse

O estresse crônico é um dos principais interferentes epigenéticos. A exposição prolongada ao cortisol, a hormona do stress, pode desregular genes associados à imunidade, à inflamação e ao envelhecimento precoce.

A meditação, respiração consciente, tempo na natureza ou atividades criativas ajudam a reequilibrar o sistema nervoso.

Despolua seus genes

  • Vivemos rodeados de toxinas invisíveis como as encontradas em alimentos, até aos disruptores endócrinos presentes em plásticos. Estes agentes químicos podem interferir na expressão genética, especialmente quando a exposição é crônica.
  • Optar por produtos de higiene mais naturais, privilegiar alimentos biológicos sempre que possível e arejar a casa diariamente são estratégias que reduzem significativamente a carga tóxica a que os nossos genes estão sujeitos.

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