Saúde

Consumo de conservantes é associado a maior risco de câncer e diabetes, dizem estudos franceses

Pesquisas foram conduzidas pelo Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica

Dois amplos estudos publicados nesta quinta-feira (7) por pesquisadores franceses revelaram associações alarmantes entre o consumo de conservantes industriais e o aumento de casos de câncer e diabetes tipo 2. As pesquisas, conduzidas pelo Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) e publicadas nas revistas BMJ e Nature Communications, analisaram uma amostra de mais de 100 mil pessoas durante vários anos, fornecendo evidências robustas sobre os riscos dos aditivos presentes no mercado europeu.

O primeiro estudo destaca que o consumo de sorbatos, sulfitos e nitritos está ligado a uma maior frequência de tumores, especialmente de mama e próstata. O dado mais contundente aponta que o nitrito de sódio (E250) eleva o risco de câncer de próstata em cerca de um terço.

Embora o risco individual seja considerado moderado quando comparado ao tabagismo, o impacto coletivo é significativo devido à onipresença desses aditivos na dieta moderna, tornando-se um desafio para as políticas de saúde pública.

A segunda pesquisa focou no metabolismo e encontrou uma correlação direta entre o consumo elevado de conservantes e a diabetes tipo 2. O consumo regular de sorbato de potássio (E202) foi associado a uma incidência duas vezes maior da patologia.

Assim como no caso do câncer, os cientistas ressaltam que, embora não se possa cravar uma relação direta de causa e efeito, a metodologia baseada em questionários alimentares detalhados e composição precisa dos produtos oferece indícios contundentes para a revisão do uso desses aditivos.

Chamado por alimentos menos processados

Coordenada pela epidemiologista Mathilde Touvier, a equipe de pesquisadores reforça que os resultados corroboram a crescente documentação sobre os danos dos alimentos ultraprocessados.

O estudo conclui que há uma necessidade urgente de políticas que promovam o consumo de produtos in natura e limitem o uso de aditivos supérfluos na indústria. A recomendação é clara: a redução da exposição coletiva a essas substâncias pode ser um passo decisivo para frear o avanço de doenças crônicas no mundo.

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