Saúde

CREMERS interdita Pronto Socorro da Santa Casa de Rio Grande

Segundo o Conselho a interdição ética ocorre em função da falta de médicos na Casa de Saúde

Na manhã desta quinta-feira o PS da Santa Casa funcionou normalmente
Na manhã desta quinta-feira o PS da Santa Casa funcionou normalmente Foto : Gislaine Rodrigues/ Santa Casa de Rio Grande/CP

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS) decidiu interditar de forma ética o trabalho dos médicos que atuam no setor de urgência e emergência (Pronto Socorro) da Santa Casa de Rio Grande, no Sul do Estado. O presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade e o Conselheiro Régis Agnes irão realizar a interdição do local por falta de profissionais

Conforme Trindade, apenas dois médicos clínicos trabalham de forma reiterada no serviço. "Falta anestesista de plantão e outros médicos. Na prática, a interdição significa o fechamento do serviço, ou seja, eles não podem trabalhar no local. Na verdade, fizemos isto para chamar a atenção para o problema", admite.

A interdição é válida a partir do meio-dia desta quinta-feira por 60 dias, que poderão ser prorrogados. No documento de interdição, o Conselho justifica a medida baseada na vistoria realizada em 1º de agosto e de uma comunicação do diretor técnico de 7 de março relatando deficiência de cobertura de escalas médicas em setores essenciais. "Esperamos que isto se resolva antes, em poucas horas ou dias, pois a população está sob risco constante. Rio Grande é uma cidade com mais de 100 mil habitantes. Sabemos das dificuldades financeiras do hospital que tem estrutura física, mas não funciona", lamenta. Ele confirma que a medida não foi tomada de modo repentino. "Há um longo tempo estamos encaminhando fiscalização", observa.

A secretária de Saúde do município, Juliana Acosta, afirmou que o município soube que o CREMERS suspende as atividades médicas no PS da Santa Casa na manhã desta quinta-feira. "Entramos em contato com a direção do hospital que nos informou que o atendimento de urgência e emergência está mantido e que irão recorrer", afirma. Ela também confirma que entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde. "Queremos que um plano de contingência seja estabelecido, uma vez que o Estado mantém contrato com a Santa Casa para referência de média e alta complexidade para os municípios da região", relata.

O hospital possui 197 leitos de enfermaria do Sistema Único de Saúde (SUS) e convênios e oito de UTI. Procurada, a direção do hospital disse que o Pronto Socorro segue funcionando e que ainda não haviam sido notificados formalmente da interdição (até ás 10h). "Vamos tomar medidas jurídicas para manter os atendimentos e também iremos atender os apontamentos do Conselho", garante em nota.